Calçada de Alpajares no Douro Internacional | Melhores estradas de Portugal

Parte I - Estrada do Candedo/Calçada de Alpajares

Há já algum tempo que este percurso merecia um cantinho especial neste blogue. Portanto, hoje foi o dia em que decidimos aqui destacar uma maravilhosa estrada descoberta na nossa passagem pelo coração do Parque Natural do Douro Internacional. Sob arcadas de xisto e entre pronunciados vales, entramos naquele que consideramos ser um dos mais fascinantes percursos de Portugal: a estrada em torno da Calçada de Alpajares (também conhecida por Ribeira do Mosteiro ou Estrada do Candedo). Agora, aqui lhe fazemos a devida homenagem, partilhando a rota em detalhe, que também faz parte da nossa eleição de estradas a não perder pelo Norte de Portugal.

Nos confins do Alto Douro, entre Freixo de Espada à Cinta e Barca D’Alva, o último troço do rio que banha Portugal é um percurso arrebatador feito pela estrada N221. E, se estivermos a percorrer a região pela primeira vez, este é sem dúvida um itinerário a não perder. Por sua vez, convém ter sempre presente que nem sempre os locais mais óbvios, e mais divulgados, serão os únicos a merecer atenção. Ao longo das nossas viagens temos concluído que dar importância aos locais alternativos é sinónimo de belas surpresas. O percurso pela Calçada de Alpajares reafirma essa conclusão. E é por isso que muito recomendamos que não se deixe a região sem o conhecer.

Ali, o leito do rio Douro estreita-se. E é por entre avassaladoras montanhas que desviamos ao vale da Ribeira do Mosteiro, afluente do grande Douro, para percorrer a surreal estrada em redor da Calçada de Alpajares.

Calçada de Alpajares
Acesso à Calçada de Alpajares
a estrada em torno da Calçada de Alpajares (também conhecida por Ribeira do Mosteiro ou Estrada do Candedo).
As vinhas e olivais pelo Douro Internancional

Um percurso milenar

Além de um percurso panorâmico soberbo este é também um percurso de história milenar. As montanhas onde se encontram a Calçada de Alpajares guardam em si séculos de história. Revelando ao longo da totalidade da sua extensão vestígios de uma antiquíssima presença humana. Assim o testemunham as pinturas rupestres com mais de 8000 anos da Fraga do Gato e o antigo povoado da Idade do Bronze conhecido como Castro de São Paulo com vestígios de ocupação romana.

No ponto mais elevado da rota encontram-se sepulturas medievais escavadas na rocha e, a partir delas, um trilho sinuoso de estrada empedrada: a Calçada de Alpajares. O acesso por estrada pavimentada às extremidades da Calçada de Alpajares é feito por duas partes, e não sabemos distinguir qual a mais espectacular. Portanto sugerimos que se façam as duas, uma delas, um percurso sem saída.

Trilho para a Calçada de Alpajares
Trilho para a Calçada de Alpajares

Parte I – Estrada de acesso ao ponto mais baixo da Calçada de Alpajares

A primeira parte inicia-se junto à estrada nacional 221 na foz da ribeira do Mosteiro. Ali, uma subida gradual leva-nos a entrar no coração do vale onde olivais, amendoais e citrinos estão bem presentes nos socalcos da montanha.

E assim que ali entramos somos de imediato transportados para uma brutalidade de paisagens que jamais ali imaginaríamos. Tão distintas de outras paisagens por Portugal, arrisco-me a afirmar que em mais nenhum local do país tivemos oportunidade de contemplar cenários naturais equivalentes.

Uma rica história geológica

Apesar de não muito extenso, é um percurso extraordinariamente surpreendente, envolto num caos de rochedos também eles com uma extensa história geológica a contar. O Muro da Abalona, a parede natural de afloramentos quartzíticos assim o eternizam. Aqueles curtos 6 km que separam as extremidades da rota, são para ser percorridos devagar, devagarinho. Não só pela geometria do traçado, que segue sempre por altitude pouco variável, mas também para contemplar a paisagem de pronunciados declives e precipícios eminentes a nosso lado.

Vale da Ribeira de Mosteiro. Inicio do trilho para a Calçada de Alpajares
Muro da Abalona no Vale da Ribeira de Mosteiro. Inicio do trilho para a Calçada de Alpajares
Calçada de Alpajares
Miradouro para o Muro da Abalona
Calçada de Alpajares
Parte I – Estrada do Candedo/Calçada de Alpajares

Os rochedos elevam-se formas mais variadas que a geologia lhes permite. Numa embrulhada de marcas de movimentos tectónicos com vários milhões de anos. Paredes naturais, dobras de larga escala e muitas falhas que servem de abrigo a uma diversidade imensa de aves das escarpas: a águia-real, o grifo, a cegonha-preta, o abutre, o papa-figos, o abelharuco, etc. Estará o ecoar do nosso motor a perturbar o repouso de tais espécies? Prometemos não demorar muito. Afinal, ainda temos de ir conhecer a parte II.

Parte II – Estrada de acesso ao ponto mais alto da Calçada de Alpajares

Avançamos rumo a norte até ao final do percurso, deixando para trás a foz da Ribeira do Mosteiro. Tomamos o rumo à pequena aldeia de Poiares. É a partir dela que a nossa etapa se inicia. Aquela a que chamados a segunda parte da estrada de acesso à Calçada de Alpajares. Agora, a uma altitude superior, com vistas panorâmicas de largos horizontes por todo o majestoso Parque Natural do Douro Internacional. Espreitamos o Douro ao fundo e a vizinha Espanha. E à medida que avançamos entre vinhedos e amendoais, aproximamos-mos do anfiteatro natural que ficará para sempre na nossa memória. Como sendo um dos mais emocionantes que tivéramos oportunidade de contemplar.

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Parte II – Estrada do Candedo/Calçada de Alpajares
Parte I - Estrada do Candedo/Calçada de Alpajares
Fim da estrada de acesso à parte II da Calçada de Alpajares
Parte I - Estrada do Candedo/Calçada de Alpajares
O rio Douro e Espanha no horizonte
Parte I - Estrada do Candedo/Calçada de Alpajares
A estreita estrada por entre amendoais

O fim da estrada pavimentada e o início do trilho

Avançamos pela estreita estrada que rapidamente serpenteia pela montanha, naquele desfile de beleza natural digno de uma pintura de um grande mestre. A estrada termina no trilho para a Calçada de Alpajares e, a nossos pés, está agora a estrada empedrada com milénios de existência. Pronta para ser explorada montanha abaixo fora dos nossos fato de motociclistas.

São poucas as vezes em que nos apetece trocar o fato de motociclista pelo equipamento de caminhada (até agora só sentimos o mesmo apelo na Plataforma de Gredos) . Apesar de termos consciência de que o mundo fora de estrada, e apenas acessível por caminhadas, é outra realidade que nos revela segredos naturais distintos, é em duas rodas que optamos por unir o prazer do contacto com a natureza, com a liberdade de viajar. Mas, neste local em particular, sentimos que este ambiente enigmático, merece ser vivido passo a passo. Voltaremos para o fazer com certeza. Por agora, ficamos-mos pela sumptuosidade dos cenários por onde a estrada nos guia.

Parte I - Estrada do Candedo/Calçada de Alpajares
Início das rotas pedrestres

Para um roteiro completo pelo Parque Natural do Douro Internacional consulte aqui o nosso artigo já publicado.

Mapa detalhado da estrada para a Calçada de Alpajares

Mapa do trilho pedestre aqui.

Para consultar o mapa da estrada em detalhe, clique sobre ele ou utilize o canto superior direito para abrir directamente na página do Google Maps. Poderá fazer o zoom necessário para ver a rota em pormenor ou exportar para o GPS como preferir. Clicando no canto superior esquerdo, é também possível ler a legenda do mapa em detalhe. Pretende utilizar este mapa no seu aparelho de navegação e não sabe como o fazer? Consulte aqui o nosso artigo já publicado.

  • Quilómetros totais: 30 km
  • Tempo de condução: 1 hora

Para extrair o Ficheiro GPX da rota detalhada da Calçada de Alpajares aqui.

  • Qualidade do pavimento: ★ ★ ★ ✰ ✰
  • Beleza natural: ★ ★ ★ ★ ★
  • Densidade populacional: ★ ✰ ✰ ✰ ✰
  • Classificação: ★ ★ ★ ★ ★

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2 Replies to “Calçada de Alpajares no Douro Internacional | Melhores estradas de Portugal”

  1. Adoramos a N221, e já por lá passamos várias vezes mas parece que já temos um motivo para ir novamente. Obrigado pela partilha. Abreijos e boas curVas ✌️

    1. quilometroinfinito says: Responder

      Siga nisso! eheh Obrigado pela mensagem e boas curvas!

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