Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina

Uma rota panorâmica única no Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina

Se por Portugal há um passeio de mota a não perder, esse passeio é pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Inserido num longo troço litoral com muito a contemplar, esta é uma rota que se prolonga por mais de 100 km, pelas regiões do Alentejo e Algarve, entre Porto Covo e Burgau, respectivamente.

Uma viagem pelas paisagens costeiras de Portugal, que pela Costa Vicentina se caracterizam pelas encostas escarpadas e dramáticos rochedos. Todas elas, aninham no seu sopé algumas das mais belas praias do país por onde um percurso de mota nunca é demais.

Para as percorrer, atravessamos a zona classificada como parque natural, pelas remotas estradas que ondulam por entre colinas de olhos postos no Atlântico.

Encontramos pequenas cidades e vilas que conservam a alma tradicional de eterna aldeia, com a sua rusticidade, presença do mar e toda a actividade piscatória a ele associada. Um ambiente ainda autêntico na maioria dos seus recantos, cuja visita nos deslumbra e remete para um Portugal distante no tempo.

Aljezur, Praia do Monte Clérigo. Costa Vicentina
Aljezur, Praia do Monte Clérigo. Costa Vicentina
Vila do Bispo, Praia da Salema. Costa Vicentina
Vila do Bispo, Praia da Salema. Costa Vicentina

A Costa Vicentina

Há muito a ansiar visitar a Costa Vicentina sobre duas rodas, foi num destes fins de semana prolongados que cumprimos o objectivo: uma viagem de mota à costa sudoeste de Portugal. E, em jeito de viagem de reconhecimento, perdemos-nos pela imensidão do Parque Natural do Sudoeste Alentejano, entre a costa algarvia e alentejana. Descobrimos alguns dos seus tesouros, saboreámos os petiscos pelas tasquinhas e restaurantes e dormimos por alguns alojamentos rurais. Regressámos com muito a partilhar.

Costa Sul – De Burgau a Sagres

Entre a Praia da Luz e o Cabo de São Vicente, no extremo sudoeste algarvio, voltámos com a prova de que, o Algarve é muito mais de que apenas praias de sonho.

Aquela que é a região considerada como a Riviera Portuguesa, é também um óptimo destino para um passeio em duas rodas. Fugindo dos itinerários principais, como as aborrecidas e perigosas N125 e Via do Infante A22, descobrimos um Algarve escondido, de pequenas estradas de encanto, que começam ou terminam sempre de olhos postos no mar.

Estrada M1257, Praia da Ingrina
Estrada M1257, Praia da Ingrina
Estrada M1257, Praia da Ingrina
Estrada M1257, Praia da Ingrina

Entre as colinas do barrocal e as praias que banham os areais algarvios, sucedem-se as pequenas estradas que atravessam e unem lugares que merecem ser visitados.

E, foi por lá, que o sinuoso traçado entre Burgau e a Praia da Salema nos surpreendeu. Inesperado e desafiante, eis que nos encontramos entre curvas com o mar ao fundo, que ondulam entre encostas rochosas e terminam em vales alagados pelas águas dos ribeiros que fluem para o mar.

Atravessamos campos de cultivo imensos, repletos de verde e cheiro a alecrim. Laranjeiras, figueiras, alfarrobeiras e amendoeiras relembram-nos as tradições agrícolas algarvias, que se reflectem nas iguarias de qualquer mesa da região.

Cruzamos-nos com incontáveis hippies e surfistas, e assim temos a certeza que estamos num cantinho mágico e tranquilo do planeta, que todos eles são peritos em descobrir.

Estrada costeira entre Barrancão e Praia da Salema. Costa Vicentina Algarve
Estrada costeira entre Barrancão e Praia da Salema. Costa Vicentina Algarve
Estrada costeira entre Barrancão e Praia da Salema. Costa Vicentina Algarve
Estrada costeira entre Barrancão e Praia da Salema. Costa Vicentina Algarve
Estrada costeira entre Barrancão e Praia da Salema. Costa Vicentina Algarve
Estrada costeira entre Barrancão e Praia da Salema. Costa Vicentina Algarve

Locais a visitar ao longo do percurso Burgau – Sagres

  • Praia da Luz
  • Forte de Almádena
  • Praia da Salema
  • Praia do Zavial
  • Praia da Ingrina
  • Cabo de São Vicente
  • Fortaleza de Sagres

O percurso pela costa mais a sul de Portugal termina no Cabo de São Vicente. Estrategicamente construída para a defesa do território no promontório de Sagres, está a Fortaleza de Sagres, à qual se sugere uma visita. Por lá, os rochedos atingem alturas impressionantes, não aconselháveis para os mais sensíveis. Mas vale a pena espreitar e deixar-se deslumbrar.

Local de memória, onde a natureza, a religião e o homem se conjugaram ao longo dos séculos, deixando cultos religiosos e histórias para contar.

No Cabo de São Vicente está o Farol, perto da Ponta de Sagres, onde foi fundada no séc XV a Escola Náutica pelo Infante D. Henrique, grande impulsionador dos Descobrimentos.

Costa Sudoeste- Sagres a Porto Covo

Repleta de cenários privilegiados, muitos por onde a natureza permanece intocada, um passeio pela costa sudoeste de Portugal é sinónimo de maravilhas que nos deixam boquiabertos.

Caracterizada pela região costeira de maior relevo no país, o Alentejo tem dezenas de praias fabulosas, umas mais expostas outras mais recatadas, por entre as dramáticas falésias que definem o limite entre a terra e o mar.

Praia dos Montes Clérigos. Costa Vicentina
Praia dos Montes Clérigos. Costa Vicentina
Praia dos Montes Clérigos. Costa Vicentina
Praia dos Montes Clérigos. Costa Vicentina

A diversão de percorrer de mota a Costa Vicentina é descobrir todas elas, pelos acessos mais inesperados e com os panoramas mais arrebatadores. Muitas das estradas, não são da melhor qualidade para a condução em duas rodas, mas os belos horizontes compensam e fazem valer a pena o percurso de descoberta.

Apesar de esta não ser uma das zonas mais procuradas do país, notámos claramente uma diferença de paisagens a partir da região de Odeceixe para Norte.

É por lá que a região mais se desenvolveu nos últimos anos e se adaptou às necessidades dos viajantes. Consequentemente, esta é a zona com maiores ofertas de alojamento, restauração e ofertas turísticas, mas também aquela que apresenta o seu estado natural mais alterado. Mas nem por isso deixa de merecer uma visita.

Vila Nova de Milfontes.
Vila Nova de Milfontes.

Locais a visitar ao longo do percurso Sagres a Porto Covo

  • Praia do Castelejo
  • Praia do Amado
  • Praia da Bordeira
  • Praia do Monte Clérigo
  • Praia de Odeceixe
  • Praia de Azenha do Mar
  • Praia do Tonel
  • Praia da Zambujeira do Mar
  • Cabo Sardão
  • Praia de Almograve
  • Vila Nova de Mil Fontes
  • Praia da Ilha do Pessegueiro
  • Porto Covo

Em todos os nossos passeios, existem sempre aqueles percursos especiais que nos ficam gravados na memória sempre que neles pensamos. A Costa Vicentina não foi excepção. Não sabemos se a escolha é influenciada pelo clima, pela hora, pelo estado de espírito, mas sabemos com certeza, que é influenciada pelos arrebatadores cenários com que a natureza nos contempla e pelo caminho para lá chegar.

Queremos partilhar estes recantos, para que outros tenham o mesmo privilégio. A visita à Praia do Monte Clérigo e a Ilha do Pessegueiro foram dois deles.

Praia do Monte Clérigo

Vindos de sul e pela estrada principal N120, foi em Aljezur que rumámos à costa para conhecer a Praia do Monte Clérigo. A passagem pelas pequenas aldeias de Bagagem e Vales, faz-nos questionar o porquê da escolha, pois tratam-se apenas de dois mais comuns locais pelo país. Depressa somos surpreendidos pela mudança na paisagem.

Assim que saímos da povoação, são as estradas que parecem perder-se no horizonte que nos encaminham para algo de maior. Encaminham-nos para o tesouro escondido à beira mar e protegido por enormes e estratificadas falésias: a Praia do Monte Clérigo.

Um percurso em altitude é alternado pela descida ao nível do mar e junto à praia. A estrada, parcialmente coberta de areia, torna a subir para a encosta oposta num percurso de pavimento excelente e curvas à beira mar.

Praia dos Montes Clérigos pela estrada M1003-1. Costa Vicentina
Praia dos Montes Clérigos pela estrada M1003-1. Costa Vicentina
Praia dos Montes Clérigos pela estrada M1003-1. Costa Vicentina
Praia dos Montes Clérigos pela estrada M1003-1. Costa Vicentina

Estamos a percorrer a pequena estrada M1003-1 e viramos à esquerda para o miradouro para a praia da Amoreira. Um pequeno percurso sem saída equivalente a um balcão panorâmico, para admirar o Atlântico e os destemidos pescadores empoleirados nas rochas.

Praia da Amoreira. Costa Vicentina
Praia da Amoreira. Costa Vicentina

Ilha do Pessegueiro

Rui Veloso eternizou o local na música com o mesmo nome da terra, Porto Covo. Um local especial sem se saber descrever porquê. Mas é verdade que o mundo azul à nossa frente poderá ser a melhor explicação.

A calmaria em redor das tímidas falésias, as planícies imensas e sossegadas, a pequena e majestosa ilha do Pessegueiro e as cores translúcidas do mar que a rodeia remete-nos a um local a não perder numa visita à região. Este é o local ideal para começar ou terminar a Rota Vicentina.

Porto Covo. Ilha do Pessegueiro
Porto Covo. Ilha do Pessegueiro
Porto Covo. Ilha do Pessegueiro
Porto Covo. Ilha do Pessegueiro

Informações sobre a Costa Vicentina

Quando ir

A Costa Vicentina é conhecida sobretudo como um destino de Verão. Maioritariamente procurada pelas fabulosas praias e pelas actividades ao ar livre.

Mas nós dizemos que se trata mais de um destino para as restantes estações, longe dos dias de calor e das praias povoadas. Épocas em que, viajar de mota pela região, é ter a estrada toda para nós, não estar a desesperar de calor dentro do fato, contemplar os areais e os inúmeros miradouros junto à costa como se de lugares desertos se tratassem.

Se por sua vez é no Verão que pensa visitar a Costa Vicentina, saiba que estará no local ideal para conciliar uma estadia mais prolongada, com dias de praia e passeios de mota pelas fantásticas estradas da região.

Quanto tempo

Visitar a Costa Vicentina pode demorar um par de dias e ficar muito por ver. Ou um par de semanas e continuar a deixar muitos recantos a descobrir. Portanto, o tempo que lhe destina, será aquele que quiser, sempre com a certeza de que serão dias em beleza e de que por lá, vale a pena demorar.

Visitámos a região em 2 dias, e voltámos com a confirmação de que, uma viagem de mota pela Rota Vicentina é a perfeita combinação de estradas panorâmicas, locais de interesse histórico e gastronomia deliciosa em qualquer recanto. Voltar é imperativo e assim que o fizermos partilharemos tudo, como sempre.

Onde ficar

Ainda não encontrámos um lugar no mundo onde não haja opções para todos os gostos, e a Costa Vicentina não é excepção! Com uma oferta variada de todos os tipos de alojamento, por lá sucedem-se os parques de campismo, os Bed & Breakfast’s, as quintas de turismo rural, os hotéis de luxo, os hotéis com menos luxo, os glamping’s, os campistas selvagens, os quartos em casas privadas, etc. Encontre aqui ou aqui, o que melhor se adapta à sua preferência.

Dicas práticas

♦ Em relação ao espectacular percurso entre o Barrancão e a Praia da Salema, considerando que viaja no sentido E-W, existe uma grande lomba no pavimento não sinalizada no cruzamento para o Forte de Almádena. Foi por aqui que voámos de RT, uma sensação que hoje descrevemos com ligeira piada, mas que não é aconselhável a cardíacos. Atenção a este local.

♦Em grande parte dos miradouros que rodeiam as praias, as estradas de acesso são sem saída. Vale a pena um desvio a todas as que consiga. Não ficará desapontado.

♦Existem muitas estradas sem pavimento junto à costa. Umas acessíveis a veículos outras não, certo é que, caso a sua mota seja permissiva a um percurso fora de estrada, esta é uma opção que promete um bom passeio

♦Se a caminhada e as viagens sobre duas rodas são para si compatíveis, saiba que estará numa das mais exclusivas rotas de caminhada da Europa. Estacione a mota num alojamento local, e siga o Trilho dos Pescadores ou o Caminho Histórico da Rota Vicentina. Mais informações aqui.Rota Vicentina

Peripécias em viagem do Quilómetro Infinito

Nem sempre temos o hábito de partilhar as nossas peripécias mais pessoais em viagem. Mas esta decidimos que será para sempre aquela nossa piada de viagem pela Rota Vicentina.

Usualmente, reservamos todas as nossas estadias com a devida antecedência de modo a garantir antecipadamente todos os nossos critérios. Um dos mais importantes, seja em Portugal ou pelo mundo, é ter um parque privado para a nossa mota dormir tão bem quanto nós. Mas desta vez, rumámos a sul sem nada definido, deixando-nos levar ao sabor do vento e sem saber onde o nosso dia iria terminar.

Um deles terminou em Vila do Bispo, onde chegámos num final de tarde soalheiro e descobrimos um simpático Bed & Breakfast. Não tinha parque de estacionamento e era inserido no centro da pequena e pacata vila algarvia. Decidimos que não haveria problema e que a nossa mota ficaria muito bem no largo da Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

Quando é que descobrem que a vossa pendura está tão viciada quanto vós na vossa companheira de duas rodas? Quando ela vos acorda de madrugada (06:00) com pesadelos e decide correr para a rua em pijama para ver se a mota está onde a deixaram. Parece que em sonhos, andavam Hooligans em Vila do Bispo!

Já agora, o alojamento eleito foi o Pure Flor da Esteva, onde fomos recebidos pela simpática e jovem proprietária, habituada a receber muitos companheiros motards.

Em Vila do Bispo.
Em Vila do Bispo.

Mapa detalhado do Percurso

Para consultar o mapa em detalhe, clique sobre ele ou utilize o canto superior direito para abrir directamente na página do Google Maps. Poderá fazer o zoom necessário para ver a rota em pormenor ou exportar como preferir.

Terminamos mais um grande roteiro para uma viagem de mota por Portugal. E porque pelo nosso país boas opções não faltam, partilhamos também outras sugestões para viagens em duas rodas:

 

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6 Replies to “Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina”

  1. Excepcional! Parabéns pelo Precioso Guia e Roteiro que nos trazem! E, Claro! Muito Obrigado pela Partilha!

    1. quilometroinfinito says: Responder

      Muito obrigado José Morgado 😉 sempre atento!

  2. A descida para Porto Covo, com a Ilha do Pessegueiro e o Mar ao fundo, é um óptimo cenário para um Bom Filme. A Vossa fotografia quase que diz Tudo!! Mas o melhor, mesmo, é ir lá!

    1. quilometroinfinito says: Responder

      Obrigado José Morgado! Sim, Porto Covo tem mesmo algo de especial, e é mesmo preciso ir até lá   Um bom sitio para um passeio!

  3. Não pode facultar o track para o GPS?

    1. quilometroinfinito says: Responder

      Não temos o track GPS lamento. Mas o mapa que partilhamos é o roteiro exacto e detalhado

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