Review da R1250GSA da BMW Motorrad | Por Quilómetro Infinito

Review da R1250GSA

Levámos para a estrada uma das big trails mais vendidas no mundo, e este é o nosso review da R1250GSA. ”Consigo perceber porque é que o pessoal perde a cabeça facilmente e compra esta mota!” Foi dos primeiros comentários que fiz ao João assim que começámos a andar com a R1250GSA. A adrenalina começa assim que se carrega no start, e se ouve aquele rosnar maravilhoso do boxer da BMW Motorrad. Despertam os sentidos, e somos de imediato invadidos pela excitação da aventura em duas rodas. Aquele é o som da diversão!

Experimentámos a R1250GSA da Santogal BMW Motorrad na versão Rallye no seu habitat natural. Numa viagem de cerca de 3000km nas comunidades de Castilla La Mancha e Aragón, pelas Sierras de Cuenca e Albarracin, na vizinha Espanha. Um roteiro de estradas sinuosas e panorâmicas, com algumas etapas de estradas rápidas para optimizar o tempo no destino, e com umas tantas incursões fora de estrada. Consideramos terem sido quilómetros suficientes, em vários ambientes, para aqui lhe dar um justo review. O nosso review da R1250GSA revela, naturalmente, a nossa opinião pessoal.

Review da R1250GSA por Quilómetro Infinito
Review da R1250GSA por Quilómetro Infinito

Review da R1250GSA da BMW Motorrad

Já sabem que os nossos reviews de motas não se alongam em partes teóricas, com longos detalhes numéricos e nomes complicados. Aquelas aborrecidas especificações técnicas que ficam muito bonitas quando se dizem, mas que nunca ninguém sabe muito bem o que querem dizer. Pelo menos eu, que já esqueci a maior parte da física e mecânica que estudei, e sou mais de me focar na parte prática: viajar de mota. Como tal, aqui farei o habitual: apenas um breve resumo das características principais da big trail da BMW Motorrad.

Motor

A R1250GSA tem um motor boxer bi-cilíndrico, a quatro tempos, de refrigeração ar/líquido, com duas árvores de cames helicoidais à cabeça, um veio de equilíbrio e sistema variável de distribuição BMW ShiftCam. Com 1254 cc de cilindrada e uns vivos 136cv de potência, só entendemos o que verdadeiramente representam quando carregamos no start, ouvimos o motor a trabalhar e a levamos para a estrada.

Partilha o mesmo motor com a R1250RT, mas as diferenças são algumas. Despe-se de trajes de gala, calça sapatos de caminhada e trajes de enduro. Mudam-se as configurações electrónicas do motor, a caixa de velocidades, a suspensão e a GSA sente-se em casa em qualquer lugar do mundo. Por sua vez, apesar de partilharem o mesmo coração, o boxer na R1250RT é bem mais endiabrado, suave e responsivo do que na R1250GSA. Concebidos para distintos propósitos, imediatamente resumindo: o que um revela em velocidade o outro revela em força e no final estão ambos no seu habitat natural.

Modos de condução e gestão do motor 1250

No que aos modos de motor diz respeito, a R1250GSA tem o modo Rain, o modo Road e esta versão ganhou um novo modo em relação à sua antecessora R1200GSA: o modo Eco. Em teoria, serve para tirar partido do ShiftCam garantindo um menor consumo e uma maior autonomia.

Enquanto o João se inteirava acerca das opções de modos disponíveis, e ao correr o painel de definições encontrou o modo Eco. Ocorreu-me logo perguntar: porquê comprar um motão como a R1250GSA para depois lhe conter o motor a ser poupadinho? Tal como diz o nosso amigo Américo, que nos acompanhou nesta viagem com a sua Triple Black, a GSA grita para que se enrole o punho mais, mais, maissss!

Consigo aqui encontrar uma vantagem apenas: naquelas horas em que a autonomia já está próxima de zero quilómetros, e não fazemos ideia se chegaremos à próxima bomba com os vapores do depósito. Mas no que a autonomia diz respeito, a GSA já conta com um depósito de 30 litros, suficientes para chegar a uns médios 450km entre abastecimentos. A autonomia varia muito consoante o afinco com que se explora o modo mais, mais, maisss.

Onde se esconde o verdadeiro potencial

Para além destes 3 modos de condução, a GSA inclui outros modos opcionais que permitem explorar ainda mais o potencial do seu motor: Dynamic, Dynamic Pro, Enduro e Enduro Pro. E parece que é aqui que se esconde o demónio da potência que traz em si. Mais, mais, maisss no modo Dynamic Pro para tirar partido de todas as capacidades em estrada. E nos últimos dois para explorar a vertente off road da GSA.

Nos curtos quilómetros fora de estrada que fizemos, experimentámos apenas o modo Enduro. Num ambiente de off road, o modo Enduro gere a intervenção do ABS, e controlo de tracção, de forma distinta do que em estrada. Sendo uma opção de segurança recomendável para que aquele pneu traseiro escorregue à vontade quando é preciso.

Review da R1250GSA - Viagens em fora de estrada com o modo Enduro
Review da R1250GSA – Viagens em fora de estrada com o modo Enduro

Travagem, ABS, Suspensão e quick shifter

Neste review da R1250GSA é importante igualmente referir a qualidade do sistema de travagem e suspensão electrónica. No que ao sistema de travagem diz respeito, a marca alemã equipa as motas com a marca Brembo de reconhecida qualidade. A travagem é assistida pelo ABS Pro integral total BMW Motorrad, optimizada em curva e com controlo de tracção. A R1250GSA oferece toda a segurança que a tecnologia nos pode dar, que gere de forma brilhante a força bruta do seu motor.

Apesar dos seus voluptuosos 268kg, o peso desaparece mal começa a andar, e as capacidades dinâmicas a que a BMW Motorrad nos habitua de longa data nos seus modelos sobressaem. Estas características devem-se em grande parte à qualidade das suspensões Dynamic ESA, que vão adaptando o desempenho em função do piso, carga e tipo de condução.

Resumindo em linguagem mais simples: a R1250GSA tem um motor com força e garra suficientes, para puxar uma mota carregada com malas e pendura sem comprometer o conforto e desempenho. E se na hora da verdade o travão funciona com segurança, a suspensão também faz um notável trabalho na dinâmica do conjunto.

suspensões Dynamic ESA
Suspensões Dynamic ESA

A suspensão electrónica da R1250GSA tem dois modos: Road e Dynamic. E conta com ajuste automático de acordo os modos de condução selecionados (Eco, Rain, Road e Dynamic, Dynamic Pro, Enduro e Enduro Pro) e a pré carga.

O nosso gosto pessoal privilegia o conforto e uma suspensão que nos filtre ao máximo as irregularidades da estrada. Portanto o modo Road foi o eleito para suspensão, e o Dynamic Pro para condução (aka mais, mais, maisss). No final, o comportamento dinâmico é soberbo, aliado a um conforto muito acima da média, que torna muito fácil fazer quilómetros e quilómetros de diversão.

Quick Shifter

Falta ainda falar do quick shifter. No que ao quick shifter diz respeito, de referir que em relação a modelos anteriores revela uma significativa melhoria. Ainda assim, a passagem de mudanças continua a ser feita com menos suavidade do que o que gostaríamos. ”Não foste tu a meter mudanças!” Digo eu lá atrás ao João, sentindo logo o impacto na condução. Importa dizer que, já tivemos a oportunidade de experimentar a R1300GS, e neste modelo a melhoria do quick shifter está mais próxima do esperado.

Com o passar dos quilómetros, e a adaptação à R1250GSA, a utilização do quick shifter revela-se muito mais suave com uma prática simples: desacelerar ligeiramente quando se solicita a caixa, e se reduz ou aumenta uma mudança. Aqueles detalhes que requerem que o Homem se ajuste à máquina que conduz, tornando-os equipa vencedora.

Consumos da BMW R1250GSA

Se estão por aqui há algum tempo, já sabem que a média de consumo é sempre uma temática à qual não damos muita importância. Mas porque é uma das principais questões que nos fazem, temos espreitado as estimativas para vos contar tudinho. E porque não damos muita importância? Porque os consumos são sempre muito relativos e variáveis. Dependendo do tipo de condução, e utilização, que cada um dá à sua mota, a média de consumos poderá ser muito diferente.

O nosso perfil de consumo na R1250GSA foi variou entre os 5.0L e os 7.0L. Disse-nos o painel de instrumentos altamente detalhado e cheio de informação privilegiada. Esta média foi obtida nos cerca de 3000 km que lhe fizemos, cerca de 1000km dos quais em registo de auto estrada e a maior velocidade. Etapas onde os consumos foram superiores.

A R1250GSA tem uma capacidade de depósito de 30 litros de combustível, suficientes para garantir grandes distâncias sem paragens. É muito normal fazermos cerca de 400 a 450 km com um depósito de combustível até entrar na reserva. Sempre com a carga de bagagens, condutor e pendura.

Malas laterais e top case

A 1250GSA em uma boa capacidade de bagagem, e o top case incluiu uma almofada nas costas que diminui o impacto no pendura. O espaço de arrumação nas malas laterais é diferente, pois do lado do escape a mala está recortada, e com menos volume. Um detalhe diferente na nossa antiga R1150GSA que tem malas laterais de igual volume. Por cima das malas, estão os acessórios onde é possível fixar bagagem adicional para maior capacidade.

A este esquema de bagagem aconselhamos o extra que facilita a arrumação diária na mota: os sacos interiores (inner bags). São desenhados à medida para neles arrumar a bagagem e encaixar na mota sem necessidade de puzzle exaustivo adicional. As nossas motas tem todas inner bags, e este é um acessório que faz maravilhas no nosso dia a dia em viagem. A GSA também tem inner bags como extra, e consideramos ser uma grande mais valia.

Capacidade de bagagem da R1250GSA
Capacidade de bagagem da R1250GSA

Dianteira e iluminação

A R1250GSA tem iluminação automaticamente regulada garantindo que a luz está sempre onde é mais preciso. O farol assimétrico totalmente em LED é adaptativo, e garante uma iluminação eficiente, e um alcance de faróis em constante movimento consoante a inclinação do piso, da carga e da posição em curva. De destacar também a luz de médios que permite ser activada com a ignição desligada, útil a manobrar a mota no escuro.

Equipada com o vidro mais pequeno, aqui importa também falar sobre o seu desempenho aerodinâmico. Do ponto de vista do condutor, este vidro desempenha muito bem o seu papel. Já do ponto de vista da pendura, que segue numa posição mais elevada, a exposição a alta velocidade revela a necessidade de um vidro com maior desempenho. Já nas pequenas estradas, e abaixo dos cerca de 100km/h, essa questão não se coloca e seguem ambos em conforto. A BMW Motorrad tem opções de vidros maiores e com melhor protecção aerodinâmica, pelo que poderá ser uma configuração a ter em conta no momento da compra.

Off road na GSA. Review da R1250GSA por Quilómetro Infinito
Dianteira e iluminação

Review da R1250GSA | Ecrã TFT- e Conectividade 

Neste review da R1250GSA  é igualmente importante falar do ecrã TFT que engloba toda a instrumentação da mota. Além das funções como o BMW Connectivity (não tem CarPlay), o ecrã oferece uma visão geral de diferentes funções em simultâneo que podem ser personalizáveis: velocidade imediata, autonomia, rotações, etc. É feito de um robusto vidro temperado anti reflexo, de fácil leitura mesmo nas horas de muita luz.

Creio que dificilmente seremos as pessoas indicadas para avaliar questões de conectividade, já que quando andamos de mota privilegiamos a: des-conectividade. Por isso, emparelhamento com smartphone, capacete, GPS e outras mil possibilidades não estão na nossa lista de prioridades.

A R1250GSA vem preparada para instalar o sistema de navegação da BMW Motorrad, fixo no suporte original por cima do TFT. Nós, levámos o nosso Garmin Zumo XT2 e não testámos esta opção.

Review R1250GSA
Ecrã TFT – Review R1250GSA

Pneus na R1250GSA

Equipada com os Michelin Anakee Adventure, os mesmos que também utilizámos na nossa R1150GSA por milhares de quilómetros. Aqui já está publicada a nossa partilha de experiência com o modelo da marca francesa.

Por sua vez, alguns proprietários de R1250GSA falam-nos sobre o seu desconforto com a aderência deste pneu nesta mota. Por isso, quando seguimos viagem, foi com alguma apreensão no comportamento do pneu que abordámos a estrada com a R1250GSA. Colocando a possibilidade de que, em motas diferentes, poderia haver desempenho diferente.

Na nossa experiência de cerca de 3000km, onde fizemos muitos quilómetros com piso molhado, não sentimos falta de grip no pneu, e em nenhum momento sentimos a GSA a vacilar na aderência. A nossa opinião acerca dos Michelin Anakee Adventure mantém-se.

Michelin Anakee Adventure
Michelin Anakee Adventure

O que lhe adicionaríamos se viesse para a nossa garagem

Nas nossas R1200RT e R11150GSA adicionámos alguns extras para as tornar à nossa medida. Todos nós temos estaturas e ergonomias distintas, e as máquinas saem da linha de produção com a igual configuração para diferentes utilizadores.

Seja para melhorar o conforto tendo em conta a nossa ergonomia, seja para lhe aumentar o nível de protecção, deixamos aqui uma lista de extras que lhe adicionaríamos se estivesse na nossa garagem. Assim pela seguinte ordem de prioridades:

  1. Banco condutor e pendura BMW Motorrad (a versão Rallye vem originalmente equipada com o banco mais pequeno)
  2. Vidro alto BMW Motorrad
  3. Reforço protecção de motor Touratech
  4. Protecção de óptica Touratech
  5. Película de Protecção TFT BMW Motorrad
  6. Base alargadora de descanso Touratech
  7. Protecção do sensor de descanso
  8. Batente de direcção Touratech
  9. Mala de ferramentas Touratech

O equipamento incluído na R1250GSA tem algumas variáveis e nós não somos as pessoas indicadas para delas falar. Para compreender e melhor escolher as configurações de extras e equipamento incluído no momento da compra, recomendamos que visitem a equipa da Santogal BMW Motorrad (em Carnaxide ou Almada, Corroios). Ninguém melhor do que os profissionais para vos ajudar a escolher uma moto de acordo com as vossas pretensões.

Para aquisição dos extras de equipamento, na Loja Online Longitude 009/ Touratech PT, deixamos abaixo o código que vos dá sempre 5% nas vossas compras online. É só adicionar o código QUILOMETROINFINITO no momento da compra.

Conforto da R1250GSA

Conforto! Conforto é o parâmetro essencial para qualquer mota. Quilómetros Infinitos não seriam possíveis se a máquina que conduzimos nos fizesse sofrer pelo caminho.

Ao longo dos 6 dias de viagem com a R1250GSA, fizemos duas grandes etapas de auto estrada (média 600km/dia) e etapas em modo de passeio, estradas pequenas e sinuosas, fora de estrada (média 250km a 300km/dia). O conforto da R1250GSA é, sem dúvida, acima da média. E isso não se deve só ao facto de termos viajado com um banco confortável. Deve-se essencialmente à qualidade excepcional da sua suspensão.

O banco mais confortável para condutor e pendura
O banco mais confortável para condutor e pendura

Mas, ainda no que ao conforto diz respeito, a R1250GSA é uma big trail. Estando nós muito habituados a uma mota com carenagens, é nas etapas que requerem entradas em vias rápidas que as touring são imbatíveis. Na R1250RT podemos fazer 600km de auto estrada, e mais 300km de pequenas estradas no mesmo dia, com conforto e sem cansaço. Já na R1250GSA ficamo-nos pelos 300km em estradas pequenas, e deixamos a etapa dos 600km em vias rápidas para o dia seguinte. Por sua vez, quando entramos num estradão inesperado, na R1250RT avançamos com cuidado, e em apelo divino para não cair e riscar aquele fato lindo. Já na R1250GSA avançamos com um sorriso, confiantes que levamos uma companheira preparada para o efeito.

Review da R1250GSA | Conclusão Quilómetro Infinito

A BMW R1250GSA é um motão! Dinâmica a curvar, ágil e divertida, com uma avançada tecnologia de suspensão e electrónica, que a torna fácil de conduzir em qualquer ambiente. Uma ergonomia que equilibra o conforto com desempenho, com a adrenalina que o motor boxer desperta mal começa a trabalhar.

Uma mota de aspecto corpulento que pode até intimidar os mais inexperientes, mas seja na sua versão GS ou GSA recomenda-se que a experimentem e tirem as conclusões. Rapidamente se conclui que a ciclística de condução, tornam aqueles cerca de 270kg em leveza na estrada, e é essa a magia da BMW Motorrad. A GSA não é a mota mais vendida no mundo por acaso.

Se como alma gémea tivéssemos de escolher apenas uma mota, seria sem dúvida uma RT. Ainda não conseguimos superar aquela devolução da R1250RT, com que fizemos a nossa última viagem à Andaluzia. Dormimos mal desde então. Mas para dois apaixonados por motas, e mototurismo, é impossível gostar apenas de uma. Comparar uma touring a uma big trail é algo que não é comparável. Mas todos vós esperam que o façamos. Resolvemos esse problema adquirindo uma de cada! As motas despertam muitas paixões, e escolher só uma será sempre um desafio. No final, escolham a que vos rouba o coração e com ela sigam para quilómetros de boas, e felizes, curvas.

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