Roteiro em Trás-os-Montes com a Pink My Bike nas Pink Honda Monkeys

Roteiro em Trás-os-Montes com a Pink My Bike nas Pink Honda Monkeys

Não é que falta aqui eternizar a história, e o roteiro em Trás-os-Montes, sobre como é que um inusitado convite me fez, por fim, tirar a carta de mota? Há quase um ano atrás a vida colocou-nos no mesmo caminho da Pink My Bike, que nos desafiou a uma aventura pelo Norte de Portugal, cada um em sua mota: duas Hondas Monkeys cor de rosa.

E que tal virem até Bragança para um roteiro com as nossas Pink My Bike Monkeys? Mas eu não sei conduzir motas… Disse ao Francisco, que nos desafiou para uma grande aventura. Não faz mal! Nós damos umas lições lá na nossa rua, e até os mais inexperientes fazem as nossas tours sem dificuldade. Respondeu-me ele confiante. Tratamos de tudo: roteiro, lugares para dormir, comer e não precisam de se preocupar com nada.

A Primavera e um Roteiro em Trás-os-Montes com as macacas cor-de-rosa
A Primavera e um Roteiro em Trás-os-Montes com as macacas cor-de-rosa
Roteiro em Trás-os-Montes com as macacas cor-de-rosa
Ao ritmo de uma mini mota num roteiro em Trás-os-Montes
Roteiro em Trás-os-Montes com as macacas cor-de-rosa
Roteiro em Trás-os-Montes com as macacas cor-de-rosa
roteiro em Trás-os-Montes
Trás-os-Montes e o Douro Internacional

Um roteiro em Trás-os-Montes e uma épica aventura

A verdade é que ideias malucas são comigo e, quando no ar paira um desafio ou grande aventura, o meu primeiro pensamento é que será oportunidade de diversão. E logo por Trás- os Montes, uma das nossas regiões preferidas de Portugal.

Se já tinha conseguido andar uns 30 km na nossa Famel, também iria conseguir conduzir uma Honda Monkey cor de rosa, onde facilmente se chegam com os pés ao chão, pensei eu. Aceitei sem precisar perguntar ao João. Conhecemos-nos suficientemente bem para partilhar com sintonia da mesma onda de maluquice juntos. Sabia que ele aceitaria sem hesitar.

Roteiro em Trás-os-Montes e a nossa primeira viagem em duas motas
Roteiro em Trás-os-Montes e a nossa primeira viagem em duas motas

Dia 0 – Batalha – Pink My Bike, Bragança | 380 km

Apenas quando estacionámos a RT Infinita em Bragança em frente à loja da Pink My Bike é que realizei que a partir daquele momento ia passar para o lugar do condutor, e fazer um roteiro em Trás-os-Montes. Comecei a pensar que tinha de facto aceite uma aventura louca! Que tinha tudo para se tornar épica, assim que eu conseguisse pôr mudanças na Monkey. A preocupação começou a invadir-me os sentimentos. Podem levar já as Pink Monkeys para a Pousada de São Bartolomeu, é lá que vão dormir esta noite e assim amanhã estarão prontos para iniciar o vosso roteiro. Disse-nos o Francisco.

Roteiro em Trás-os-Montes com a Pink My Bike nas Pink Honda Monkeys
Roteiro em Trás-os-Montes com a Pink My Bike nas Pink Honda Monkeys

Entre sorrisos de excitação e nervosismo, tive a minha primeira aula de condução na rua pedonal ali mesmo. Parece que os habitantes já estão habituados ao local ser uma introdução à condução de muitos clientes aventureiros da Pink My Bike. Mas estarão eles cientes que eu não sei andar de mota, mas vou aprender ali num instante?

Ponto de embraiagem! Claro que é a maior dificuldade desta iniciante nas duas rodas. Aquela sensibilidade necessária para sentir o motor enquanto doseias a embraiagem e o acelerador. Larga a embraiagem mais devagar. Dizia-me o João a rir desalmadamente. Quando fiz o primeiro arranque sem deixar a macaca cor de rosa ir abaixo, pensei que teria de continuar rua abaixo sem parar, para ter de prolongar o máximo possível a necessidade de nova tentativa.

Foi uma primeira aula de condução animada no centro histórico de Bragança

Senti-me de imediato num episódio do Mr Bean, a avançar pelas ruas pedonais do centro histórico de Bragança, em descida e pedindo desculpa aos ocupantes das esplanadas em redor pelo aparato. Afinal, quase invadi as suas mesas. Desculpem, mas estou a aprender! Dizia eu entre a aflição e a diversão. Enquanto eles observavam duas macacas em apuros com olhos esbugalhados.

Eu disse que estava em descida, certo? E quem desce tem de subir para voltar ao ponto inicial, certo? Pois é! Contornar aquela rua levou-me à estrada principal, e a ideia de parar no meio do trânsito numa subida deixou-me em pânico. Tão em pânico que até um taxista (pessoas conhecidas por estarem sempre com pressa) parou para me deixar passar. Obrigado Sr. taxista! Pânico mas com o cérebro bem desperto ao plano B… Sobe o passeio Patrícia! É só um bocadinho até voltar à Pink My Bike.

O plano correu bem, mas na viragem para a rua final uma senhora atravessou o carro no meu caminho para conversar, e eu tive de parar. Ponto de embraiagem a subir enquanto virava à esquerda e a macaca levantou a roda da frente. Que bruta macaca! Foi uma apresentação interessante àquela que seria a minha companheira dos próximos 3 dias. A inexperiência a conduzir motas atenua-se na pequena grande mota onde chego perfeitamente com os pés ao chão.

A recuperar energias com a gastronomia transmontana

Seguimos para o Restaurante O Javali, deixando as Pink Monkeys para levar para o hotel no final do jantar. Aquela refeição recorda-nos porque Trás-os-Montes está na nossa lista de regiões preferidas de Portugal. A gastronomia portuguesa ali está representada com toda a perfeição. Entre as empadas de perdiz, pão tradicional, azeitonas temperadas, prato de enchidos e queijos, costeleta de vitela, javali estufado com migas e grelos estávamos prontos para o nosso roteiro por Bragança, e suas vizinhanças.

Voltámos às macacas cor de rosa, agora para uma nova aula de condução nocturna focada em fazer manobras e curvar. Mas para quê treinar manobras e inversões de marcha quando há tantas rotundas em Bragança? Disse eu ao João, depois de desaparecer até à rotunda mais próxima, e evitar uma. Quis deixar esses detalhes irrelevantes para o dia seguinte.

🛏️Alojamento em Bragança

🍴 Restaurante em Bragança

Dia 1 – Pink My Bike, Bragança – Sendim | 180 km

Seguimos para um roteiro por Trás os Montes e Alto Douro, planeado para nós com todo o detalhe, alojamentos reservados e todas as dicas de melhores lugares e restaurantes para refeições. Habituada a tratar sempre eu dos meus roteiros, a ideia de ter pessoas locais a desenhar roteiros pela sua região pareceu-me logo espectacular. Porquê? Porque ninguém melhor do que eles para nos mostrar pelos seus olhos os cantinhos especiais da terra onde nasceram.

Trás-os-Montes, Aldeias do Montesinho
Trás-os-Montes, Aldeias do Montesinho
Trás-os-Montes, Aldeias do Montesinho
Reino Maravilhoso

Pelas aldeias do Parque Natural do Montesinho

Ainda não eram 9h da manhã quando saímos da cidade rumo ao Parque Natural do Montesinho. Juntos na estrada, cada uma na sua mota, o oposto do que sempre costuma acontecer, rimos infinitamente a cada curva. Eu, à medida que os quilómetros avançam, vou ganhando confiança e rindo muito dentro do capacete. Desculpa macaca! Digo eu muitas vezes, pedindo-lhe perdão se ainda não acertei naquela mudança. Permissiva, divertida e absolutamente fofinha, a macaca cor de rosa perdoa-me tudo e leva-me pelas estradas mágicas do norte do país.

Problemas! A minha macaca estava a rosnar-me.

João porquê é que a macaca de vez em quando me rosna? Perguntava eu algumas vezes enquanto ele achava que eu estava só na brincadeira. Era estranho não entender porque é que a macaca, em algumas ocasiões, parecia chateada comigo, e me resmungava. Quereria bananas? No fim de comentar algumas vezes o mesmo, o João decidiu por fim debruçar-se sobre a questão… O que estaria a acontecer? Haverá algum problema na Honda Monkey cor de rosa da minha mulher? Pensou.

Paragem para avaliação mecânica
Paragem para avaliação mecânica

No coração do Parque Natural do Montesinho, percorríamos a fabulosa N308 de olho nas montanhas nevadas no horizonte. Ali ao lado, na vizinha Espanha, o Parque Natural do Lago de Sanabria ostentava a beleza que só o Inverno lhe pode dar: os picos montanhosos totalmente cobertos de branco, num espectáculo natural digno de parar para apreciar.

Deixa-me experimentar a tua mota. Disse o João. No fim de uma pequena voltinha que determinaria que, naquele dia, a minha macaca cor de rosa faria (estranhamente) mais quilómetros do que a dele, perguntou-me: ora explica lá isso do rosnar melhor. Foi ali que tomei consciência daquilo que faço a conduzir um carro tão automaticamente, que nem me ocorre pensar no processo: na mota também não posso acelerar, e meter mudanças ao mesmo tempo. O mistério do rosnar da macaca estava desvendado.

Rio de Onor, Varge, Montesinho

No final de um Inverno mais chuvoso do que o habitual em Portugal, a Primavera dá por fim o ar de sua graça. As montanhas ainda ostentam os picos salpicados de branco, enquanto a baixa altitude os campos estão revestidos por uma manto verde vigoroso. As árvores estão em flor. A urze, a carqueja, as papoilas, os malmequeres e tantas outras flores silvestres são responsáveis pela paisagem colorida, num cenário natural mágico, cujo privilégio de o poder percorrer de mota é emocionante. Os rios, ribeiros e cascatas fluem vigorosos e no ar sentimos o perfume da natureza no seu auge.

A Primavera num roteiro em Trás-os-Montes
A Primavera num roteiro em Trás-os-Montes
Varge. Aldeias do Parque Natural do Montesinho
Varge. Aldeias do Parque Natural do Montesinho
A Primavera num roteiro em Trás-os-Montes
A Primavera num roteiro em Trás-os-Montes
Roteiro em Trás-os-Montes com as macacas cor-de-rosa
A Primavera e um Roteiro em Trás-os-Montes com as macacas cor-de-rosa
roteiro em Trás-os-Montes
Rio de Onor. Roteiro em Trás-os-Montes

Muros do Sabor e Castelo de Algoso

É difícil colocar em palavras a forma cativante como Trás-os-Montes nos encanta a cada visita, e nos faz ansiar por um regresso. Quando procuramos uns dias de calma e tranquilidade para viajar de mota, esta região mais remota do nosso Portugal é sempre a que nos ocorre de imediato. Mas, no infinito número de vezes que nos perdemos pelo seu território, ainda nunca tínhamos percorrido a curvilínea estrada que atravessa o grande desfiladeiro que o pequeno rio Maçãs escavou ao longo dos anos. Montanhas despovoadas, de terreno inóspito feito de rochas de xisto, onde a vegetação dominante forma um jardim selvagem. Chamam-lhe os Muros do Sabor, o grande rio alimentado por estes pequenos afluentes que escondem um trabalho de grande riqueza natural.

E se estamos numa rota de património natural, passamos de imediato para o património histórico. Com a entrada repentina na montanha que ostenta o grande, e bem, preservado Castelo de Algoso.

O castelo de Algoso faz parte das muitas fortalezas que formavam a linha defensiva do nordeste de Portugal contra o Reino de Leão. Juntamente com os Castelos de Bragança, Outeiro e Miranda do Douro, em plena Idade Média estavam no auge da sua existência, conquistando o seu lugar na História de Portugal com toda a distinção. Subimos o promontório rochoso de onde se avista o Reino Maravilhoso no seu horizonte, e fomos de Pink Monkey o máximo que conseguimos.

Castelo de Algoso
Castelo de Algoso
Castelo de Algoso
Panoramas do topo do Castelo de Algoso

🛏️Alojamento em Sendim

🍴 Restaurantes nesta etapa

Dia 2 – Sendim – Vila Nova de Foz Côa | 210 km

Cavalo do Mazouco e o mágico percurso ribeirinho do Douro

Sabem que somos dois entusiastas das gravuras e pinturas rupestres. E se nos fascina apreciar a delicadeza da arte deixada pelos nossos antepassados à milhares de anos atrás, fascinam-nos igualmente os lugares de beleza surreal que para ela escolheram. Podem até não apreciar arte rupestre, mas temos a certeza de que o caminho a percorrer até ela vos fará conhecer um dos mais belos cantinhos do nosso país.

Do alto do Miradouro do Colado entramos na aldeia de Mazouco com vistas para o avassalador vale do Douro Internacional, à medida que nos aproximamos do rio percorremos a pequena estrada que dança entre idílicas paisagens. As encostas do Douro estão repletas de vinhedos, plantações de laranjas, amendoeiras, figueiras e todas as árvores de fruto que apreciam o micro clima quente que ali se forma.

Miradouro do Colado
Miradouro do Colado, Mazouco
O rio Douro junto ao Cavalo do Mazouco
O rio Douro junto ao Cavalo do Mazouco

Caímos no Mazouco com a RT Infinita 

Já tínhamos tentado recentemente conhecer o Cavalo do Mazouco num roteiro por Trás-os-Montes com a nossa RT Infinita. Mas a tentativa foi interrompida por uma queda. Provocada pelo piso escorregadio que as zonas sombrias ali formam na estação húmida.

Partimos a mala da RT, testámos as crash bars e ficámos, naturalmente, de ânimo em baixo. Deixámos a visita ao Cavalo de Mazouco para outra oportunidade. ” Mas Patrícia, isso não são estradas para fazer de RT”. A frase que ouvi quando partilhei o vídeo da nossa queda (aqui). ”Difficult roads often lead to beautiful destinations”. É o nosso lema, e segui-lo tem nos trazido algumas das mais felizes memórias da nossa vida.

O acesso ao Cavalo do Mazouco é feito por uma pequena estrada, mas é totalmente pavimentada. Tal como em outros lugares de acesso mais remoto, as chuvas do Inverno trazem para ela areias e outros detritos que, com a pouca afluência de veículos ao local, consolidam na estrada numa camada quase impercetível. Se por ali viajarem em dias de chuva, será necessário atenção a quadriplicar. O problema não são as curvas com sujidades visíveis, nessas antecipamos o perigo. A nossa queda foi na recta que se seguiu, com uma camada de lodo da cor do pavimento, que quase nos fez mergulhar de RT no Douro.

Estrada de cesso ao Cavalo do Mazouco
Estrada de cesso ao Cavalo do Mazouco

Voltámos de Honda Monkey

João tens noção que até eu consegui chegar ao Cavalo do Mazouco nesta descida abrupta e curvilínea sem me esbardalhar não tens? Claro que rir faz parte das nossas rotinas de viagem. E aquela era agora uma história para rir.

Chegámos às margens do rio Douro depois de uma alucinante descida, naquela estreita estrada de curvas que ondulam no horizonte. Num dia soalheiro, e de temperaturas de Verão em pleno mês de Abril, fizemos a última etapa de acesso às gravuras rupestres em modo caminhada. Ali estava ele, o belo Cavalo do Mazouco.

Cavalo do Mazouco
Por fim no Cavalo do Mazouco
Cavalo do Mazouco
Cavalo do Mazouco
Cavalo do Mazouco
O rio Douro junto ao Cavalo do Mazouco
O rio Douro junto ao Cavalo do Mazouco
Parque junto ao Cavalo do Mazouco

Calçada de Alpajares, um dos pontos altos de um roteiro em Trás-os-Montes

Quando soubemos que iríamos atravessar o Parque Natural do Douro Internacional no nosso tour com a Pink My Bike, fizemos apenas um pedido: que a nossa rota passasse na mágica Calçada de Alpajares. Não importa quantas vezes tentaremos gritar ao mundo que é um dos mais arrebatadores lugares do nosso país. Nunca conseguiremos de facto, transmitir a verdadeira beleza que ali se contempla. Não há imagem que lhe faça justiça ou vídeo que bem a represente.

Calçada de Alpajares
Calçada de Alpajares

Nesta Primavera especialmente florida, os olhos brilham de emoção a admirar o tapete florido que reveste aquele caos rochoso de olhos no Douro. Trás os Montes, guarda nas suas paisagens um dos lugares mais surpreendentes que tivemos oportunidade de conhecer e, em todas as vezes que passamos na região, é obrigatório por ali passar. É de facto um Reino Maravilhoso.

A Calçada de Alpajares é, mais especificamente, um antigo troço de uma estrada romana que atravessa a pequena ribeira de Mosteiro. E tem de ser visitada pelos seus dois lados: um que une Barca de Alva a Ligares, e um segundo a partir de Poiares. Este último, um troço sem saída que nos obriga a regressar pelo mesmo percurso. É também, o nosso lado preferido da Calçada de Alpajares. O mais inexplorado e o ainda mais selvagem.

Viajar de mota por este lugar é especial. Não tem a melhor estrada para condução, mas lembram-se: ”Difficult roads often lead to beautiful destinations”? E não arranjem desculpas! Até eu fui naquela macaca cor de rosa, por aquelas curvas sinuosas e inclinadas, com uma gravilha em locais estratégicos para testar o batimento cardíaco. E vivi para contar a história, apesar dos pés no chão algumas vezes.

Entrada na Calçada de Alpajares
Entrada na Calçada de Alpajares
Calçada de Alpajares
Calçada de Alpajares
A Primavera na Calçada de Alpajares
A Primavera na Calçada de Alpajares
A Primavera na Calçada de Alpajares
A Primavera na Calçada de Alpajares

Pombal convertido em adega na Quinta de Chão D’Ordem

O nosso dia terminou na Quinta de Chão D’OrdemCerca de 220km depois, muitas actividades e horas de condução, chegámos ao final da tarde à quinta nos arredores de Vila Nova de Foz Côa. Pensando estar atrasados para visitar as gravuras rupestres do Vale do Côa. Afinal, a luz do dia não as iluminaria por muito mais tempo.

Fomos recebidos pelo Sr Carlos com toda a simpatia, que nos convidou de imediato a conhecer a sua adega construída no Pombal. Pediu-nos para jantar tranquilamente dizendo-nos que a magia das Gravuras Rupestres atinge o seu máximo esplendor numa visita nocturna. Seria ele próprio o nosso guia.

Pombal da Quinta de Chão d'Ordem, actualmente uma adega
Pombal da Quinta de Chão d’Ordem, actualmente uma adega
Pombal da Quinta de Chão d'Ordem, actualmente uma adega
Adega no interior do Pombal

Visita nocturna às Gravuras Rupestres do Vale do Côa

Demorámos mais de uma hora de viagem entre a Quinta de Chão D’Ordem e o vale da Penascosa. O lugar onde o Sr Carlos diz estarem a suas gravuras preferidas. Pelo caminho, a conversa agradável desenrola-se entre os solavancos daquela carrinha que tantas vezes avança trilhos montanha abaixo, e os lugares de arte rupestre pelo mundo. A esposa do Sr Carlos brinca dizendo que ele é casado com as gravuras, e não com ela. Aquela forma de afirmar a grande paixão que o move em torno de tão maravilhosa arte antiga.

A verdade é que o Sr Carlos estava certíssimo ao afirmar que a noite é a melhor ocasião para visitar as gravuras. O silêncio e escuridão à beira do rio Côa criam um mágico ambiente. Somos invadidos pelo grande sentimento de paz imaginando-nos tão integrados naquela paisagem natural. Ouvimos o som das águas do Côa que correm agitadas, os grilos a criar música ambiente e sentimos a frescura da noite enquanto procuramos mais um casaco.

Ao alcance do foco da sua lanterna estão as gravuras expostas num quadro natural de xisto, e a nitidez dos seus traçados toma uma nova proporção. É quase uma hora da manhã, e por ali andamos. Perdidos na imensidão do vale do Côa, imaginando as semelhanças há milhares de anos atrás e ouvindo o enquadramento histórico. É tão bem explicado na voz de alguém que o conhece!

Gravuras Rupestres do Vale do Côa
Gravuras Rupestres do Vale do Côa

🛏️Alojamento em Vila Nova de Foz Côa

Quinta de Chão D'Ordem

Quinta de Chão D'Ordem
Chegada à Quinta de Chão D’Ordem

🍴 Restaurantes nesta etapa

Dia 3 – Vila Nova de Foz Côa – Pink My Bike, Bragança | 200 km

A Primavera brindou-nos com um novo amanhecer soalheiro na Quinta de Chão D’Ordem. Este seria o dia em que terminaríamos a nossa rota até à Pink My Bike, em Bragança. O roteiro do dia ficou inteiramente à nossa mercê, deixando assim espaço para umas aventuras à Quilómetro Infinito entre Foz Côa e Bragança. Estávamos a cerca de 100 km, mas tínhamos um dia inteiramente livre para preencher. Decidimos improvisar, porque o caminho mais rápido nunca é compatível com o melhor.

Deixámos o vale da Vilariça, o percurso ribeirinho do Douro e do Sabor para trás, para rumar novamente aos montes com vista panorâmica. E, ali na região, o incontornável percurso curvilíneo da M611 entre os Estevais e a aldeia de Adeganha é a oportunidade de fazer uma das melhores estradas de Portugal. Este roteiro em Trás-os-Montes deu-me, sem dúvida, um intensivo treino de trajectórias em curvas.

O Rio Sabor nos arredores de Torre de Moncorvo
O Rio Sabor nos arredores de Torre de Moncorvo
O Rio Douro nos arredores de Torre de Moncorvo
Rio Douro nos arredores de Torre de Moncorvo
M611 Estevais - Adeganha. roteiro em Trás-os-Montes
M611 Estevais – Adeganha
M611 Estevais - Adeganha
Muitas curvas na M611 Estevais – Adeganha

Percurso fora de estrada na Albufeira do Azibo

Decidimos contornar a Serra de Bornes em direcção à aldeia de nome peculiar: Vale da Porca. Com a albufeira do Azibo no azimute, e a constatação de que já a tínhamos visitado noutra ocasião no lado oeste. Mas nunca a tínhamos conhecido a este, e muito menos num tour circular em seu redor.

O João segue no GPS da macaca os pequenos caminhos, seguindo um rumo aproximado em total improviso. Quando chegamos a um pequeno acesso fora de estrada, paramos para analisar e ele conclui: é só este bocadinho! Se fizermos estes cerca de 500 metros encontramos a estrada à beira do Azibo, e assim a seguiremos até Podence.

Ele efectivamente achou que seriam apenas 500 metros de fora de estrada. Mas à medindo que fomos avançando no percurso, sem dúvida um dos mais maravilhosos que fizemos nestes dias, fomos concluíndo que seriam 500 metros de fora de estrada, mas de cada vez.

Albufeira do Azibo. roteiro em Trás-os-Montes
Albufeira do Azibo

Olha para onde queres ir!

Mas eu ainda agora estou a aprender a conduzir em estrada e tu já me trazes para picadas de pedra, terrenos lamacentos, caminhos a subir e descer por entre valas pronunciadas? Ao som dos nossos comunicadores Sena50S, o João acompanhava a minha adiafa em sobreviver a mais uma etapa. Rindo infinitamente, com os pés no chão nas etapas mais problemáticas ouvia: ”Não olhes para a roda da frente! Olha para onde queres ir!” Corrigia-me o João, que me via passar uma zona de lama à beira das águas do Azibo, temendo que mergulhasse na zona errada. A macaca imediatamente tomou o rumo certo, para longe de um mergulho na albufeira, quando os meus olhos assim lhe disseram.

A cada etapa difícil íamos esperando ser a última. Até que nos encontramos numa sucessão delas, que nos fazem questionar se não será melhor voltar atrás. Ao mesmo tempo que pensamos que voltar para trás também já não nos parece assim tão simples. Estamos de Honda Monkey, as pequenas grandes motinhas que estão à altura de qualquer desafio. Cujo tamanho nos dá grande confiança a avançar por maus caminhos. Seguimos em frente! Estávamos no coração da mata de sobreiros, carvalhos, estevais e tanta outra vegetação autóctone. Rodeados de beleza, campos em flor e a constatar que o mundo fora de estrada é mágico.

Quando contornar a Albufeira do Azibo se torna mais emocionante
Quando contornar a Albufeira do Azibo se torna mais emocionante
Quando contornar a Albufeira do Azibo se torna mais emocionante. roteiro em Trás-os-Montes
A Primavera num roteiro por Trás-os-Montes

A aldeia e os Caretos de Podence, Património da UNESCO

Chegámos a Podence, a aldeia dos caretos, umas horas depois de muitas risadas e coração a bater mais forte. Tínhamos acabado de contornar a Albufeira do Azibo e perceber porque nunca o tínhamos feito antes: era um percurso off road! Nas nossas motas só lá iríamos ter nas mesmas circunstâncias: em total desconhecimento do que nos esperaria. Neste caso, foi uma aventura a dois aos comandos das divertidas e permissivas Pinks Honda Monkey.

3 dias e mais de 600 km depois chegámos novamente a Bragança. Com o coração cheio resumimos a mais épica aventura das nossas vidas em duas rodas. Temos milhares de quilómetros juntos, mas esta foi especial. Porque foi a primeira vez que fomos em duas motas, e porque nos divertimos à grande juntos naquelas macacas cor de rosa. Obrigado Pink My Bike por todo o carinho e profissionalismo com que fomos recebidos. Sentimos a cada quilómetro o vosso empenho em criar roteiros inesquecíveis que passam pelo melhor do nosso país. Obrigado também, por me lembrarem que devia ir tirar a carta de mota. Foi exactamente o que fiz mal regressei a casa. Não é que me disseram depois que quando me convidaram acharam que eu brincava quando dizia que não sabia conduzir motas?

Resumo do roteiro em Trás-os-Montes com as Pink Honda Monkeys

Dos Muros do Sabor à Faia Brava, dos miradouros mais mágicos do Douro Internacional às pequenas aldeias com tanta história e tradição em si no Montesinho. Passando pelas curvas mágicas da N221 e pela Calçada de Alpajares, um dos lugares mais surpreendentes do país. Do circuito panorâmico dos Lagos do Sabor ao percurso fora de estrada que contorna a Albufeira do Azibo.

Um roteiro surpreendente! Mas que não se centra apenas em andar de mota: incluiu experiências culturais riquíssimas, como a visita noturna às Gravuras Rupestres do Vale do Côa, conhecer uma peculiar adega construída num pombal, ouvir as histórias das tradições mirandesas e da arte de produzir azeite e vinho. Sem esquecer que, em cada paragem para refeições, encontramos os restaurantes que servem as maravilhas da gastronomia transmontana. Repondo as nossas energias numa farta refeição para mais uns quilómetros de Pink Monkey.

Um novo olhar sobre um roteiro em Trás-os-Montes

Já visitámos Trás os Montes tantas vezes. É uma região de Portugal que consideramos ser das melhores da Europa para andar de mota. Ainda assim, conseguimos conhecer lugares nunca antes visitados, e estradas nunca antes percorridas. Quando viajamos com uma mota de alta cilindrada, o ritmo de viagem é outro. E se nos leva mais longe, também nos priva involuntariamente do tempo que dedicamos a cada lugar. Viajar de Honda Monkey é ter mais calma para desfrutar dos lugares por onde passamos, apreciar a natureza mais devagar e sentir roteiros mais pequenos com grande intensidade.

Prometo que não estamos a exagerar: temos milhares de quilómetros juntos, pelos mais diversos lugares desta Europa, mas esta experiência de 3 dias no Norte de Portugal com a Pink Monkey foi uma das mais inesquecíveis e divertidas da nossa vida em duas rodas.

Pink My Bike, roteiro em Trás-os-Montes
Pink My Bike, roteiro em Trás-os-Montes
Pelo Reino Maravilhoso. roteiro em Trás-os-Montes
Pelo Reino Maravilhoso

Como comprar um tour da Pink My Bike para um roteiro em Trás-os-Montes

Este foi um roteiro criado para nós, mas a Pink My Bike trata de um roteiro igual ou diferente consoante as vossas preferências. Os tours nas macacas cor de rosa podem ter a duração de 1, 2 ou mais dias. Tudo é personalizável para cada cliente e não precisam de se preocupar com nada: nem com roteiro, nem com alojamento, nem em procurar dicas. Terão convosco um guia completo a descrever e orientar a vossa aventura.

Para comprar um dos tours da Pink My Bike deixamos aqui mais informações: Pink My Bike Tours aqui. Todos os tours têm um desconto de 10% no momento da compra com o código QUILOMETROINFINITO10. Contacto: +351961 112 699

Informações práticas para um roteiro em Trás-os-Montes com a Pink My Bike

Viajar nas pequenas Honda Monkey traz algumas questões práticas que a Pink My Bike resolve. Todas as motas disponíveis para alugar estão totalmente equipadas com tudo o que precisamos para usufruir de uma aventura em duas rodas:

  • Kit de primeiros socorros
  • Kit de ferramentas e furos
  • Suporte para smartphone
  • GPS incluído com o track incluído para os dias de viagem
  • Malas laterais e rack para saco de top case
  • Aluguer de capacetes e equipamento caso não tenham/queiram levar o vosso
Suporte de smartphone e suporte com GPS Incluído. roteiro em Trás-os-Montes
Suporte de smartphone e suporte com GPS Incluído

Mapa do roteiro em Trás-os-Montes com as Pink Honda Monkeys

Para consultar o mapa deste roteiro em Trás-os-Montes em detalhe, clique sobre ele ou utilize o canto superior direito para abrir directamente na página do Google Maps. Poderá fazer o zoom necessário para ver a rota em pormenor ou exportar para o GPS como preferir. Clicando no canto superior esquerdo, é também possível ler a legenda do mapa em detalhe. Pretende utilizar este mapa no seu aparelho de navegação e não sabe como o fazer? Consulte aqui o nosso artigo já publicado.

  • Total de quilómetros: 600 km + distância ida e volta à vossa morada
  • Dias de roteiro: 4 dias, 3 noites (personalizável na duração como preferirem)

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2 Replies to “Roteiro em Trás-os-Montes com a Pink My Bike nas Pink Honda Monkeys”

  1. Absolutamente delicioso. O episódio da moto a rosnar fez-me dar umas boas gargalhadas. Deram-me ânimo para tentar uma viagem dessas na minha Vespa GTS 250. As vossas costas não se queixaram?

    Abraços

    1. quilometroinfinito says: Responder

      ehehe obrigado José! Acho que pode ir sem problema na sua Vespa! Nós não tivemos dores de costas, a Honda Monkey é surpreendentemente confortável. Mas confortável do que muitas motas maiores. Boas curvas e continuação de tudo de bom

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Quilómetro Infinito