Situados em pontos estratégicos, muitas vezes rodeados e protegidos pela caótica geologia junto ao mar, mais de 40 faróis estão espalhados ao longo dos cerca de 1200km desta zona costeira. Falamos da Rota dos Faróis da Galiza, os guardiões do selvagem Atlântico, e dela elegemos o top 6 dos melhores que encontrámos.
No noroeste da Península Ibérica, e dona do litoral mais recortado de Espanha, a Galiza ocupa uma parte do território histórico da antiga Gallaecia (ocupação romana) e do Reino da Galiza. Formada pelas províncias da Corunha, Lugo, Ourense e Pontevedra, limita geograficamente o Mar Cantábrico do Oceano Atlântico. Está assim na localização ideal para formar um roteiro, naturalmente, idílico.


São precisamente os recantos que esconde à beira mar que nos levam a dela regressar maravilhados, lamentando um dia tê-la subestimado. Centenas de quilómetros entre falésias, rias e longas enseadas à beira mar, guardam em si a história dos povos que por ali viveram, e preservam hábitos milenares. A pesca é uma das principais actividades na região assim como as imensas actividades marítimas. Nela encontramos os faróis mais ocidentais de Espanha e o mais setentrional da Ibéria.
A sua posição no mapa do mundo, tornou-a ao longo dos séculos cobiçada por muitos. Além das infraestruturas desenvolvidas para a actividade pesqueira como subsistência das populações, encontram-se também as da linha de defesa do território. Aí estão os faróis que por ela abundam a desempenhar o papel multifunções. Quanto a nós, queremos apenas visitar os espectaculares, e recônditos, lugares onde se instalam. Deixando-nos maravilhar pelas paisagens naturais, muitas vezes de acessos que nos põem o coração a bater mais forte. Mas não é por isso mesmo que andamos de mota?

Top 6 – Melhores Faróis da Galiza de acesso mais panorâmico
Farol do Cabo Ortegal | Costa Ártabra
O Farol do Cabo Ortegal está no top dos melhores faróis da Galiza, e revelou-se o mais fascinante que conhecemos ao longo dos 5 dias de roteiro de viagem de mota pela região. De certo que os penhascos afiados onde se insere, e a abrupta descida rumo ao mar para a ele chegar, conquistam o primeiro lugar do pódio pelo misto de emoções que provocam.
Situado na Costa Ártabra, na localidade de Cariño, um importante porto pesqueiro na província. Perto do Cabo Ortegal as falésias ganham uma altura e verticalidade assustadoramente bela que definem um lugar maravilhoso.
O Cabo Ortegal é, naturalmente, uma ampla arcada rochosa que se abre para o oceano que a modela continuamente. A seus pés, numa palete de tons de azul quebrados pela espuma branca das vigorosas ondas, o mar bate contra os rochedos repletos de mariscos. Onde os pescadores da região arriscam a vida para que nos cheguem à mesa os saborosos percebes.
Ali o Mar Cantábrico encontra o Oceano Atlântico e a sinalética junto ao farol sensibiliza-nos que estamos no: El Quilómetro Cero. Do alto dos seus cerca de 600 metros, é a falésia marinha mais alta de Espanha e do centro e sul da Europa, superada apenas pelos fiordes da Noruega.


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Farol de Punta Candieira | Costa Ártabra
Igualmente na Costa Ártabra, um dos pontos mais altos do litoral espanhol, o Farol de Punta Candieira localiza-se no concelho de Cedeira. A estreita estrada de acesso ao farol, desenhada em geometria sinuosa para vencer a verticalidade necessária para o alcançar, determina que só os condutores menos temerosos a ele chegarão. Vamos ver o Stelvio dos Faros! Digo eu ao João, claramente mais assustada do que ele enquanto reparo na geometria da estrada na falésia.
Nesta zona, os percursos para chegar aos faróis partilham todos o mesmo padrão. Começam por atravessar densas florestas de pinheiros e eucaliptos, plantados para proteger as populações dos efeitos do mar, e terminam em planaltos à beira mar preenchidos pela vegetação rasteira. De horizontes livres de arvoredo, a linha que separa o azul o céu do azul do mar torna-se quase impercetível, enquanto avançamos por estradas fabulosamente emocionantes.
Dizem os galegos que há sempre um preço a pagar pelos dias de sol na região: o vento que afasta as nuvens e o deixa brilhar. É apenas mais um factor a garantir que o nosso coração bate mais forte a visitar de mota os melhores faróis da Galiza.



Farol de Punta Nariga | Costa da Morte
É dos mais fascinantes da Costa da Morte e um dos últimos faróis a ser construído em Espanha. Localiza-se na pequena aldeia de Barizo que aninha uma das mais paradisíacas praias da Galiza, claramente de enseadas protegidas pela geografia desafiante onde o Farol de Punta Nariga se insere.
No Farol de Punta Nariga encontramos uma peculiar construção, de formato anguloso numa base pontiaguda sob o mar. Uma admirável integração da arquitectura moderna no ambiente, e paisagem natural que o rodeia. Literalmente com o mar a nossos pés, admiramos diferentes formatos e dimensões das falésias continuamente modeladas pelo efeito erosivo do mar e vento. Olhando o Atlântico agitado, relembramos de imediato porque estamos na Costa da Morte.



Farol de Roncudo | Costa da Morte
A partir do pequeno porto pesqueiro O Porto de Corme, o percurso à beira mar que nos leva ao Farol de Roncudo determina que este tem de ser incluído nos melhores faróis da Galiza. Em plena Costa da Morte, o Farol de Roncudo ganha o seu nome pelo ruído que o mar provoca quando atinge as falésias próximas. As mesmas que aninham os afamados percebes do Roncudo, um dos mariscos mais apreciados do mundo.
O acesso ao Farol do Roncudo é feito maioritariamente à mesma altitude, sem grandes declives ou variações. Mas a estrada ondula à beira mar e termina numa mini península que aloja o farol. É um dos melhores lugares para assistir ao pôr-do-sol na Costa da Morte, mas a mota deve ser estacionada protegida das rajadas de vento que por ali nos surpreendem.


Farol de Touriñán | Costa da Morte
A costa selvagem e escarpada do litoral galego foi ao longo dos séculos local de muitas tragédias marítimas, e a Rota dos Faróis da Galiza leva-nos a descobrir um por um, todos os guardiões que o vigiam o Atlântico incansavelmente. O Farol de Touriñán na Illa do Castelo, em plena Costa da Morte, é um deles. É também um dos mais fabulosos.
As paisagens que atravessamos no caminho para o farol, oferecem vistas espectaculares do oceano. Num ambiente que continuamente nos remete a lugares tão distantes como o Wild Atlantic Way, na Irlanda ou os nossos Açores. A força do Atlântico exibe toda a sua magnitude a cada quilómetro que por ali viajamos, de olho entre a terra e o mar que exibe cores como se no caribe estivéssemos. As estreitas estradas atravessam aldeias milenares, guardam vestígios arqueológicos dos nossos antepassados e garantem que quem os ousa visitar dali sai de alma um bocadinho mais rica.



Farol do Cabo Vilán | Costa da Morte
Continuando na Costa da Morte, agora no concelho de Camariñas, encontramos novo lugar rochoso e escarpado a alojar um dos seus faróis mais espectaculares: Farol do Cabo Vilán. O farol do Cabo Vilán assinala um dos lugares mais perigosos de toda a Costa da Morte e isso também o torna num dos maiores beleza. A mais de 120 metros de altitude, este guardião do Atlântico é um dos mais antigos de Espanha.
Nele se encontra uma sala de exposições homenageando as vítimas de uma das muitas tragédias marítimas que por ali se viveram: o naufrágio do HSM Serpent. O navio britânico que navegava para Serra Leoa, afundou-se perto do Cabo Vilán surpreendido por uma tempestade e quase 180 pessoas ali perderam a vida. Por lá ficaram sepultadas, a uma escassa distância do cabo: Cemitério dos Ingleses. Apesar do nome triste e sombrio, este pequeno percurso na Costa da Morte, representa um dos mais belos caminhos que fizemos pela Galiza. Ainda não está totalmente pavimentado, mas é feito por um estradão simples.


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Mais do que os faróis
Se percorrer esta região da Galiza está nos planos, neste blogue também encontrarão o nosso roteiro de 5 dias de viagem de mota. Para já, fica a compilação da Rota dos Faróis que mais nos encantaram. E o principal critério de classificação ficou longe dos nomes mais afamados. Centrou-se na nossa opinião pessoal acerca da beleza do caminho que até eles nos levam. Boas curvas



Há muito tempo que Vos acompanho nas várias viagens que tem feito pelo mundo, acabando por ser mais um “pendura” nas BM’s, desculpa Patricia, mas acredita que como eu tens muitos que vão a “viajar” na Vossa comapanhia…
Obrigado por nos levarem a tantos sitios maravilhosos e pricnicpalmente por nos fazerem acreditar que é possivel!
“Die with memories, not with dreams!”
MA
Olá Manuel, tudo bem? Muito obrigado pela mensagem e simpatia. E, acima de tudo, por estar sempre desse lado na nossa pendura virtual. Que venham muitos mais bons quilómetros. Boas curvas e tudo de bom.