O Yellowstone National Park há muito que fazia parte dos nossos destinos sonhados. As idílicas paisagens de cores vibrantes deste parque nacional sempre exerceram em nós um grande magnetismo. E uma infinita vontade de os percorrer numa viagem de mota pelos Estados Unidos.
A actividade vulcânica em larga escala, a imensidão dos cenários naturais, a possibilidade de ver de perto a vida selvagem que nele prospera. É um dos parques nacionais mais conhecidos do mundo pelas paisagens surreais que encantam a quem o ousa visitar. Percorrer um supervulcão ora em modo caminhada, ora em duas rodas pelas estradas panorâmicas incomparáveis que apresenta, é uma experiência que se recomenda pelo menos uma vez na vida.
Nele encontramos milhares de fontes termais, fumarolas e, no que dizem ser, metade dos geisers activos do mundo. É uma rara oportunidade de conhecer a história evolutiva da Terra a céu aberto, com seu próprio Grand Canyon. Localizado maioritariamente no estado do Wyoming, numa viagem de mota pelos USA é um destino obrigatório, e que promete não desiludir. Os rios que o atravessam fluem temperados pelas águas geotermais. As rochas que os rodeiam revelam as paletes de cores que o enxofre, e os microrganismos que nelas prosperam, pintam na paisagem. No solo, fervilham ás águas directamente das profundezas da Terra, enquanto a vegetação que as rodeia parece crescer alheia às altas temperaturas. Os bisontes por ali encontraram um habitat natural perfeito para resistir à dureza do clima, e é frequente encontrá-los a repousar sobre a terra quente.
Por ser um dos locais mais visitados do país requer que se conheçam algumas regras. E algumas dicas para escapar às multidões. Aqui partilhamos o registo dos nossos dias a visitar o Yellowstone National Park. Assim como todas as dicas práticas e informações relevantes para o fazer.




Informações práticas para visitar o Yellowstone National Park
🛏️Onde dormir no Yellowstone National Park
West Yellowstone nas Elkhorn Cabins, a Este, para uma estadia de 2 noites perto dos locais onde a actividade vulcânica se concentra. Cody, no Hampton Inn Suites, para uma noite a Oeste do parque nacional para assistir a um tradicional Rodeo Americano e percorrer as estradas panorâmicas de Yellowstone a sul. E no Alpine Lodge, em Red Lodge por mais uma noite para as estradas de alta montanha a norte do parque nacional. Foi esta distribuição de alojamento que optámos para as nossas 4 noites no Yellowstone National Park.
A beleza natural de Yellowtsone também se deve ao facto do seu território natural ser maioritariamente intocado. As opções de alojamento são mais limitadas e os preços, por isso, superiores. Como tal, recomendamos que a reserva de alojamento seja garantida com alguma antecedência. Aqui ficam as nossas escolhas com uma boa relação qualidade preço, quer em limpeza quer em conforto. Com excepção das grandes cidades, nos USA não há necessidade de preocupação com o parque da mota. Os Estados Unidos são o país com a maior sensação de segurança pelas ruas que já conhecemos.
🛏️Procurar aqui outras opções:
🗺️Quando visitar o Yellowstone National Park
Visitar o Yellowstone National Park é a principal ideia de qualquer ser vivo que rume ao Noroeste dos Estados Unidos. Sejam eles americanos ou de qualquer outra nacionalidade, não é por acaso que o parque nacional recebe milhões de visitantes todos os anos. Sendo por isso um dos parques nacionais mais visitados do país. E a natureza apenas nos dá uma trégua para o conhecer durante os meses mais quentes, já que na maior parte do ano está totalmente coberto de neve, e com todas as estradas de acesso fechadas. O pico de visitantes ocorre a partir de meados de Junho até meados de Setembro, pelo que a melhor época para visitar o Yellowstone National Park é fora dessas datas. Recomendamos: Maio a meados de Junho e meados de Setembro a Outubro.
Mais informações práticas sobre os parques nacionais e uma viagem pelos Estados Unidos consulta aqui a nossa publicação: Viagem de mota pelos USA – Custos, documentos e informações práticas
ℹ️Permits (reservas) para visitar o Yellowstone National Park
Nas datas da vossa visita (final de Maio), não foi necessário tratar de permits para visitar o Yellowstone National Park. Mas dependendo da época do ano poderá ser e por isso é sempre importante confirmar a informação actualizada no site oficial: nps.gov.
A entrada no parque nacional tem controlo de acesso e é paga (30USD por veículo), mas está incluída na aquisição do cartão America the Beautiful.

Roteiro pelo Yellowstone National Park
Um roteiro pelo Yellowstone National Park pode ser desenhado de várias formas. Todas elas dependem da correlação de alguns factores como. Tais como o local de chegada e partida nos Estados Unidos, a disponibilidade e preços dos alojamentos no parque nacional, e a localização dos locais de maior interesse. No nosso caso, chegámos ao mais belo parque nacional que já visitámos vindos de sul, e foi em West Yellowstone que encontrámos a melhor solução para um roteiro circular e duas noites no mesmo local.
Todo o parque nacional é desprovido de serviços e infra estruturas, pelo que apenas em West Yellowstone, Gardiner, Mammoth e Cooke City, Cannyon Village ou Cody se encontram alojamentos. E estes lugares distam centenas de quilómetros entre si. Dentro do parque nacional, existem meia dúzia de alojamentos de grandes dimensões cujo o preço é equivalente em tamanho. E quem vê por fora, não crê que valham o investimento já que é por lá que param as dezenas de autocarros turísticos que percorrem o parque nacional todos os dias.
Vindos do Grand Teton National Park, outro lugar no planeta onde é obrigatório estacionar um dia, este foi o nosso roteiro pelo seu peculiar vizinho, Yellowstone. Pelos próximos dias, preparem-se para emergir na perfeição da natureza, longe de rede móvel, serviços e outras comodidades da civilização.


Os geisers e hot springs de West Thumb
João não achas que somos um bocado passados da cabeça porque andamos a passear dentro de um vulcão em actividade, e não estamos com medo de falecer? Perguntei-lhe logo pela manhã. Mal entrámos no Yellowstone National Park, o que mais vimos em redor são bisontes a relaxar nas terras quentes que deitam fumo por todo o lado! Pequenos e grandes geisers em plena actividade a jorrar água a fervilhar do seu interior. Lagos e lagoas que a Natureza esculpiu com as mais vibrantes cores que alguma vez pudemos testemunhar. Azul turquesa, laranja e verde fluorescente dominam os jogos de luz por extensões infinitas. E até os riachos que correm junto à estrada são de água quente!
”Não vivas com medo de morrer”. O meu pai repetiu-me esta frase inúmeras vezes ao longo da vida. Tentando transmitir-me a noção de equilíbrio entre o risco e a diversão. Hoje ali, de coração cheio por poder testemunhar uma beleza natural tão perfeita, tive a certeza de que estava a seguir os seus ensinamentos, na dose certa.



Yellowstone é um supervulcão
Yellowstone não é um vulcão, é um supervulcão. E a utilização do prefixo não se refere apenas a uma força de expressão. Foi assim mesmo que a geologia o classificou, atribuindo-lhe um índice de explosividade máximo, cuja erupção poderá ter consequências de larga escala no planeta Terra. O supervulcão de Yellowstone possuiu uma das maiores caldeiras do mundo, um dos maiores reservatórios de magma da Terra e a sua actividade geotermal e sísmica é constante, e impressionante.
Na sua última grande erupção, há mais de meio milhão de anos atrás, modificou profundamente a paisagem, e hoje em dia os vulcanólogos consideram-no a bomba relógio da Terra. E ali estamos nós, todos felizes, com a noção de que estamos dentro dele e assim continuaremos por centenas de quilómetros.



Chegámos à Grand Prismatic Spring ainda não eram 8 horas da manhã. Tentando visitar a maior, e mais famosa, hot spring do parque nacional sem multidões. As temperaturas durante a noite atingiram valores negativos, e a Harley coberta de gelo assim o confirmou.
No final da Primavera as temperaturas oscilam frequentemente entre os valores negativos durante a noite, e mais de 20 graus durante o dia. A diferença de temperatura ambiente com o choque térmico do contacto com as águas que fervilham nas fontes termais, provoca uma neblina persistente por cima de todas elas. Diminuindo a visibilidade e a intensidade das suas cores. Só aí percebemos que tínhamos de aguardar um bocadinho mais pela subida da temperatura, para as ver no auge da sua beleza.

Old Faithfull, o maior geiser de Yellowstone
Existe um geiser no parque nacional que revela um padrão de actividade mais ou menos definido ao minuto. E decidimos que era hora de rumar ao Old Faithfull para aguardar pelo seu próximo espectáculo a jorrar água para os céus. ”This geiser man is about to blow” ouvimos ao nosso lado, entre as centenas de pessoas sentadas naquele anfiteatro de bancos de madeira, uma criança a comentar. É impossível não desatar a rir. Claramente impaciente, de voz eufórica, sotaque americano e tom grave, comentava com o seu amigo que aquele geiser estava prestes a explodir.
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West Yellowstone
Se fosse em Portugal eram só panelas aí enterradas nesses buracos! Diz o João a olhar o horizonte, já a pensar no cozido das Furnas, nos nossos Açores. Claramente a dar sinais que a sua barriga quer alimento. Hoje a rota do dia tem apenas uns 200 km. Apenas os necessários para unir os locais de maior interesse de visita no parque nacional, somando a distância ao Elkhorn Cabins Inn. O nosso alojamento por duas noites em West Yellowstone.


Dentro do parque nacional, sem rede móvel e praticamente sem serviços, saímos pela manhã da pequena cidade com o farnel nas bagagens. Sentados num rochedo gigante à beira do Firehole River, e enquanto observamos os pescadores ao longo do rio, comemos as nossas sandes de atum com vista panorâmica. Acompanhada com os Cheetos Party Size que sobraram depois do João ter deixado cair o pacote sem querer. Esta noite os esquilos vão ter um snack diferente.
Grand Prismatic Spring
”America moto foto!” Ouvimos um grupo de chinesas frenéticas a gritar-nos. Dirigiam-se agora para nós num entusiasmo contagiante no parque de estacionamento da Grand Pismatic Spring, onde voltámos! Não entendemos nada mais do que nos disseram, mas o sorriso é a linguagem universal. A fotografia com a Harley Davidson, e dois motociclistas, pareceu-lhes ser algo a levar para o seu álbum de fotografias de viagem. Seguiram não menos frenéticas na nossa frente para iniciar a caminhada pelos passadiços de madeira nas fontes termais. E nós seguimos-lhes os passos. Agora sim, estávamos a contemplar as cores da Grand Prismatic. Tal e qual como as vimos nas imagens que sempre nos fizeram sonhar aqui estar.




Grand Prismatic Spring Overlook
Quando pensámos em visitar a Grand Prismatic Spring, não conhecíamos as duas formas distintas do fazer. Uma é através da caminhada pelos passadiços que a rodeiam, apenas na diferença de altura necessária para não escaldar os pés. A outra, é através de uma caminhada de cerca de 4 quilómetros no total para a ver a partir do miradouro na encosta que a rodeia. João! Temos de ir àquele ponto. Apontei eu na direcção da montanha, para o aglomerado de pessoas que por lá se reunia que naquela distância pareciam formigas.
Desconhecíamos tal opção, mas não hesitámos a descobrir onde começaria aquele trilho promissor. No segundo dia no Yellowstone National Park, aproveitámos o facto de as malas da Harley Davidson estarem vazias para nelas guardar o nosso equipamento motociclista. Afinal, mesmo que a temperatura exterior fosse baixa, caminhadas e fatos da mota não são compatíveis.

Grand Canyon of Yellowstone
Dizem que já é Verão no Yellowstone mas eu, durante esta noite, tive de me levantar para vestir as camadas térmicas da Klim, e as minhas meias de merino. E quando o despertador tocou às seis da manhã, o João ainda dormia enrolado numa pequena manta de pele de animal. Deve ter sido o que lhe veio à mão. E eu espero que não seja do dono das hastes que estão penduradas na parede por cima da cama. Pelas Elkhorn Cabins, à semelhança de todos os lugares por onde já passámos com Invernos rigorosos, 0 a 4 graus de temperatura já não justificam aquecer os quartos. A Harley de certo concorda que se tratou de uma noite fria, já que acordou revestida de uma fina camada de gelo.
Com todas as nossas camadas quentes vestidas, saímos naquela manhã fria e soalheira para continuar a explorar o imenso Yellowstone National Park. Deixamos para trás as nascentes termais de cores mágicas e rumamos agora ao Grand Canyon of Yellowstone. E se ontem pensávamos percorrer uma grande planície, hoje o rio Yellowstone apresenta-nos o seu trabalho. Já que estamos a caminho vamos só ali ver as cascatas. Disse eu ao João. Claramente não imaginando o colossal desfiladeiro ao nosso lado, com dois grandes desníveis onde as Upper Falls e Lower Falls caem montanha abaixo. Centenas de metros de altitude nos separam das águas do rio que fluem vigorosas por entre um estreito curso lá no fundo. Ali ficamos uns minutos para admirar.




Hayden Valley
Voltámos à estrada por entre uma densa floresta de pinheiros, interrompida por largas pradarias onde bisontes e veados pastam livremente no Hayden Valley. Observar os animais selvagens no seu habitat natural encanta-nos, e não conseguimos deixar de abrandar sempre que algum passa mais perto de nós. Distraídos a observar a natureza em redor, damos por nós de repente numa fila de trânsito. E se há coisa que por ali aprendemos rápido, é que quando há uma fila de trânsito é porque há animais na estrada. Ao nosso lado estaciona um senhor aos comandos de uma F800GS. Diz-nos que estão muitos bisontes na estrada, com um ar aterrorizado. É um americano, que vive no estado de Washington e, tal como nós, está a visitar o parque nacional pela primeira vez. O trânsito avança lentamente até que à nossa frente a estrada fica quase vazia. Conseguimos agora admirar os gigantes bisontes que avançam na nossa direcção, com um ritmo lento e de ar pacífico. Um deles, lança um olhar lateral quando passa pela Harley, mas continua o seu caminho sem parar.
Andar de mota lado a lado com os gigantes bisontes
A F800GS está agora pronta para ficar estacionada na berma, e eu começo a rir. Achas que eu vá lá levar a mota dele? Digo ao João, já com a mania que também conduzo. Venha ao nosso lado! Grita-lhe o João, enquanto me tenta rebentar os tímpanos dentro do capacete. Não se preocupe que lá por Portugal temos muitos touros bravos e estes bisontes parecem uns gatinhos mansos ao lado deles. Parecem ter sido palavras mágicas porque em poucos minutos estávamos a passar uma imensa manada de bisontes, acompanhados por uma F800GS ao nosso lado. Não é que nos pareça que devamos ir chatear um bisonte, mas também cremos que se ninguém o chatear também não será ele a tomar a iniciativa.
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Cody, uma das portas de entrada do Yellowstone National Park
Hoje deixámos para trás o Yellowstone National Park, um dos lugares mais bonitos que já conhecemos. Os USA são donos de paisagens indescritíveis em tamanho e beleza. E se há 6 meses atrás por aqui fizemos a mais espectacular viagem das nossas vidas (roteiro aqui), quisemos voltar assim que possível para continuar a explorar este país de sonho. Além de idílicas paisagens também tem, inusitadas actividades! Pelo menos para nós que não estávamos a contar chegar a Cody num dia de Rodeo!
Ainda não são sete horas da tarde quando estacionamos a Harley entre a multidão, na porta do Cody Stampede Rodeo. Somos dos únicos que não apareceram vestidos a rigor. A maioria está com chapéus e botas de cowboy para a festa da noite, e uma das actividades mais tradicionais do país. Sentamos-nos na bancada com vista para a zona da largada dos animais. Touros e cavalos com mau feitio ali vão ser largados com um cowboy neles montados. O objectivo é aguentar 8 segundos sem cair. Ver aqui um resumo do rodeo: Cody Rodeo Video.



Não é que damos por nós mesmo entusiasmados? Pela experiência, pela vibrante plateia que grita em redor, pela música igual à que ouvimos nos filmes, por fazer parte daquele espectáculo a que nunca tínhamos assistido. Por sentir uma vez mais que estamos mesmo na América, um país que há tanto sonhávamos conhecer. Quanto ao Rodeo? Claramente dos 10 cavalos e 10 touros com mau feitio que se soltaram, nenhum dos cowboys conseguir aguentar neles mais de 2s! Quase nem os consegui fotografar. Mal lhes abriam as portas, já só os via no ar, temendo em todas as vezes que o animal descontrolado os espezinhasse.
Cody, porta Oeste do Yellowstone
Acho que acordei com o ouvido direito ainda a zumbir! Ontem no rodeo estava uma adolescente atrás de nós a guinchar tanto que, passada uma hora tivemos de mudar de lugar. Já me doía o ouvido de a ouvir. O João ainda lhe lançou uns olhares fulminantes, mas não nos parece que tenha percebido que há limites para o histerismo. Nunca tinha encontrado alguém que conseguisse guinchar tanto tempo, tão alto e tão estridente. Já não sei se os touros saltavam na arena por terem mau feitio ou por quererem fugir dela. Eu apostaria na segunda hipótese porque eu própria dei por mim com mau feitio e a fugir dela.
Cody não é só a capital do Rodeo, no Wyoming. Nela encontramos o Buffalo Bill Center of the West que mantém viva todas a história e lendas desta cidade do faroeste. Na Old Trail Town, edifícios e artefactos históricos remetem-nos constantemente para um filme de cowboys. As avenidas com o casario de madeira, portas de bar tipo western e o estacionamento para os veículos de quatro patas.
Chief Joseph Highway
É uma das portas para o Yellowstone National Park, de onde saímos ontem e onde hoje voltaremos a entrar através da Chief Joseph Highway. Outrora território dos índios Shoshone, pelas montanhas em redor de Cody distinguimos um contraste nas paisagens. Também elas definem um contraste na forma como, ao longo dos anos, o ser humano ali sobreviveu. Damos por nós a ganhar altitude, avançando montanha acima para paisagens naturais intocadas, e cada vez mais inóspitas. Imaginando como seriam antigamente por ali os invernos rigorosos com temperaturas muito abaixo de zero. Num solo pouco fértil a baixa altitude e revestido de neve na maior parte do ano a maior altitude.
Território dos índios Shoshone
Creio que a adaptação a essas circunstâncias revela porque, ainda hoje, a caça e a pesca são as principais actividades dos americanos fora das grandes cidades. Em todo o lado, mesmo no mais remoto, encontramos lojas de artigos de pesca e armas com uma infindável oferta e variedade. E apesar de nos fazerem crer que as armas pelos USA se usam para defesa pessoal entre humanos, creio que a sua utilização no dia a dia por ali será mesmo para defesa pessoal entre os animais. Ou pelo menos foi assim que se começaram a utilizar. É muito normal encontrar um urso numa povoação, ou um grupo de gigantes veados a comer a relva do jardim de alguém. Especialmente nas horas mais calmas do final e nascer do dia. Ser surpreendido por um pode ser sinal de não conseguir sobreviver, ou ficar gravemente ferido.




Ouvimos diariamente relatos de ataques a turistas menos cientes dessa realidade. Cada vez que paramos nas montanhas, e apesar do barulho da Harley ser suficiente para a anunciar a um animal num raio de muitos quilómetros, nunca avançamos pela floresta a caminhar sem nos fazermos ouvir. Ainda vimos o spray de defesa contra ursos no Walmart, em Cody. Mas por 50 dólares a unidade decidimos que vale a pena arriscar a ser comido por um. Nos próximos dias, se deixarem de ver conteúdos no Quilómetro Infinito já sabem: fomos desta para melhor, mas poupámos 50 dólares. RIP.
Beartooth Highway, uma das melhores estradas dos Estados Unidos
A Beartooth Highway é uma das estradas mais famosas do país, e também uma das que atinge maior altitude. É uma das quatro portas de entrada do Yellowstone e a que consideramos ser a mais espectacular. A informação ”Closed Winters” quando a pesquisamos no mapa torna-a logo percurso obrigatório. No final da Primavera, e com apenas duas semanas desde a abertura, a US Hwy 212 leva-nos agora a mergulhar num mar de neve. Por dezenas de quilómetros dentro da montanha, e num sinuoso percurso, as paredes brancas superam a nossa altura em gigantes cortes verticais. Estamos verdadeiramente no coração desta montanha! Disse eu ao João. Porque para onde quer que vire os meus olhos, há uma cordilheira sem fim de picos nevados.


Com certeza que, quer neste lado com a Bearthooth, quer do outro lado com o Grand Teton, estamos nas montanhas que definem a cratera do supervulcão de Yellowstone. E quando as descemos estamos dentro da sua caldeira, a ver nascentes termais com aquelas cores de jacuzzi sugestivo. Actividade vulcânica resultante do seu colapso em erupções passadas, e onde o magma fervilha bem perto da superfície. A minha imaginação de geóloga dá por si a correlacionar o processo de formação das montanhas que atravessamos, com a actividade vulcânica na área. Não fazendo ideia se cientificamente estarei a fazer sentido, faço ideia de que tanto eu quanto o João viajamos de mota por ali uma vez mais de brilho no olhar. A agradecer a cada milha a oportunidade de fazer parte de tão soberba paisagem.

Mapa detalhado do roteiro para visitar o Yellowstone National Park
Para consultar o mapa em detalhe, clique sobre ele ou utilize o canto superior direito para abrir directamente na página do Google Maps. Poderá fazer o zoom necessário para ver a rota em pormenor ou exportar para o GPS como preferir. Clicando no canto superior esquerdo, é também possível ler a legenda do mapa em detalhe. Pretende utilizar este mapa no seu aparelho de navegação e não sabe como o fazer? Consulte aqui o nosso artigo já publicado.
- Total de quilómetros: 900 km
- Dias de roteiro: 4 dias
