As nossas opções de orientação e navegação em viagens de mota

Opções de orientação e navegação em viagens de mota

Já há muito que somos abordados questionando acerca das nossas opções de orientação e navegação em viagens de mota. Ora aqui está um tema com muitas muitas variáveis e muitas preferências pessoais. No entanto, nós somos fiéis aos nossos métodos que partilharemos de seguida.

Mapas, mapas e mapas!

Quem me conhece sabe que tenho uma adoração por mapas e atlas no geral. Sabe que fazem parte da minha estante como pequenas preciosidades e que os estudo em detalhe sempre que idealizo um novo destino a visitar. O meu gosto pela geografia está directamente relacionado com a minha forte vontade de conhecer o mundo e, portanto, para mim um mapa é sinónimo de locais onde ainda tenho de ir.

Tudo isto conjugado com uma boa capacidade de orientação, desenvolvida desde muito cedo durante anos enquanto escuteira e atleta de orientação, faz com que não tenha qualquer reserva em viajar pelo mundo sem medo de me perder.

Pelo hábito de aprender a seguir mapas em papel numa época em que a tecnologia era menos avançada, faz com que hoje em dia continue reticente em deixar-me guiar por completo por um pequeno aparelho. E a verdade é que apesar de lhes reconhecer utilidade, não considero que sejam fundamentais para viajar por qualquer destino.

Jamais perco o norte (bússola nas bagagens) e pela minha cabeça está em detalhe toda e qualquer rota que me proponha a fazer, assim como muito da sua envolvência. Além disso, também aquelas que já fiz me ficaram cravadas na memória a um nível de detalhe que o João considera a roçar a loucura.

Loucura ou não, tem sido muitas vezes esta minha faceta que nos leva a conhecer locais fabulosos, que de outra forma nos passariam ao lado. Entendo que a minha facilidade seja a dificuldade de muitos e por isso partilho de seguida algumas informações que espero serem de utilidade.

Planear rotas no Google Maps

Juntamente com a utilização dos mapas em papel, que não só nos acompanham em viagem como são uma grande mais valia no planeamento de roteiros (todos os detalhes neste nosso artigo já publicado aqui), recorremos sempre, em primeiro lugar, ao Google Maps.

Acedendo ao menu de uma conta google, é possível criar um mapa que é facilmente editável e fica sempre guardado para consulta futura. Como criar um mapa personalizado no Google Maps? Consulte aqui.

Vantagens

  • Mais valia no planeamento de roteiros
  • Divisão da rota por dias com os respectivos pontos de paragem
  • Edição do percurso de forma facilitada arrastando o cursor para a estrada pretendida
  • Fica sempre guardado na nossa conta Google e não é necessário repetir a construção do mapa sempre que fechamos a página
  • Fácil partilha através de um link exclusivo
  • Fácil consulta em qualquer momento da viagem
  • Inserção de pontos de interesse/restaurantes/alojamentos para um enquadramento rápido no roteiro

Desvantagens

  • Não permite navegação
  • Não é possível criar rotas personalizadas no telemóvel

Exemplo de um mapa personalizado criado no Google Maps. Nele existem 2 camadas, onde cada camada corresponde a 1 dia de viagem e cada dia com o respectivo número de paragens (consultar legenda no canto superior esquerdo).

Exportar rotas do Google Maps

Vantagens

  • É possível exportar rotas criadas no Google Maps para qualquer software de GPS

Desvantagens

  • Na maioria das vezes o roteiro original criado no Google Maps sofre alterações quando exportado
  • É necessário confirmar / corrigir ponto a ponto a rota criada garantindo que após exportação o percurso não sofreu alterações
  • Método complexo e pouco fiável

Criar ficheiro GPX ou equivalente no software de um GPS

O que é um ficheiro GPX?

Um ficheiro GPX contém a gravação muito detalhada de um percurso, incluindo eventuais localizações off-road. É construído num software de um GPS e depois de importados para o aparelho transforma-se em rota a seguir. Para pequenas ou grandes viagens, após concluir o planeamento do percurso no Google Maps criamos as etapas diárias, com o respectivo início e fim, que importaremos para o GPS.

Ainda não encontrámos uma alternativa 100% eficiente ao trabalho de construir os nossos próprios ficheiros GPX. Este é um processo algo moroso quando de grandes viagens se fala, mas é a maneira que nos garante que percorreremos os caminhos propostos.

Vantagens

  • Criação de rotas diárias detalhadas a seguir
  • Antevisão da geometria da estrada durante a condução
  • Comodidade de não ter que se preocupar com orientação
  • Em grandes cidades, colocando um ponto viário no centro, garante a facilidade e rapidez de acesso aos locais pretendidos

Desvantagens

  • Criar um GPX é um processo trabalhoso
  • Caso não tenha espírito critico, em viagem poderá ser induzido em erro caso a haja alguma falha

Contando eventuais falhas no GPS que por vezes acontecem em viagem, nunca abdicamos de levar nas bagagens os nossos mapas em papel colocando sobre ele o percurso sublinhado. Assim, de forma simples e rápida, confirmamos se estamos a seguir o caminho suposto.

Criar uma rota num GPS Garmin:

O software utilizado pela Garmin é o Basecamp. Uma ferramenta algo complexa, apesar de muito eficaz, no que à criação de rotas diz respeito. Aqui, criar uma rota significa, para uma rota de muitos quilómetros, criar milhares de pontos viários para garantir o percurso exacto.

Em viagem, mesmo que exista em algum momento alguma falha no GPS, a rota será mais facilmente assegurada pois criámos uma rede de pontos muito pouco distanciados entre si. Em viagem, a sugestão de rotas alternativas de forma automática pelo aparelho torna-se menos provável.

orientação e navegação em viagens de mota
Travessia Alemanha – Dinamarca.

Criar uma rota num GPS Tom Tom:

O software utilizado pelo Tom Tom é o My Drive. Este é um programa simples, intuitivo e com uma maior facilidade de criação de rotas. Ao contrário do Basecamp, o My Drive permite arrastar com o cursor rotas para a estrada pretendida sem ter de criar um número tão elevado de pontos viários.

Por sua vez, o facto de nos levar a criar um ficheiro menos detalhado em pontos, faz com que durante a navegação em viagem sejam recalculados pequenos trechos da rota sempre que há alguma falha.

Esta situação, caso não tenha espírito crítico para avaliar as instruções do GPS, faz com que possa perder algum local em que queria passar. Sugerimos por isso, que tenha o trabalho de criar muitos pontos viários, em especial nas intersecções de estradas, de modo a evitar problemas semelhantes.

Em Lindisfarne Causeway, Inglaterra
Em Lindisfarne Causeway, Inglaterra

Utilização do GPS do Smartphone

Este é o assunto polémico, mas por aqui partilhamos as nossas experiências e preferências, que passam por recorrer muito pouco à utilização dos nossos smarthphones.

Vantagens

  • Facilmente usamos o telemóvel para encontrar algum local que decidimos visitar à última hora
  • Prático para percursos com poucos pontos de paragem
  • Boa alternativa em cidades para obter informações de trânsito em tempo real e alternativa de percursos mais rápidos

Desvantagens

  • Não lê ficheiros GPX
  • Em dias de temperaturas extremas o smartphone também sofre com o aquecimento e compromete a funcionalidade
  • Mesmo com os mapas carregados, aplicações como o Waze ou Google Maps não funcionam muitas vezes. Em especial em locais mais remotos onde na maioria das vezes é onde necessitamos de mais ajuda. Ex: Marrocos, Deserto Andaluzia, etc.
  • Maior dificuldade para criar mapas
  • Permite número muito limitado de locais de paragem
  • Dependência da rede móvel e da autonomia do equipamento

Imprevistos e falhas de interpretação de mapas em papel no GPS

É importante compreender que, desconhecer alguns métodos de orientação e navegação em viagens de mota, pode levar a alguns imprevistos. No que à Europa diz respeito, não consideramos que perder-se ou seguir por caminhos não supostos seja problemático.

Por sua vez, se mudamos de continente e viajamos pela América do Sul ou por África, uma falha na orientação poderá ser grave e resultar em grandes constrangimentos. Aqui, quando a tecnologia falha é importante ter o velho mapa de papel sempre à mão.

Se viajar por exemplo por Marrocos, e seguir um track GPS que não construiu ou não interpretou, facilmente em caso de falha será levado a um percurso fora de estrada que poderá não estar preparado para fazer. Por isso, recomendamos sempre estude minimamente os roteiros que se propõe a realizar.

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2 Replies to “As nossas opções de orientação e navegação em viagens de mota”

  1. Muito Bom! Excelentes conselhos! Nas minhas viagens, que não são frequentes e complexas que as do Quilometro Infinito, utilizo sempre uma útil aplicação. MyRoute-app https://www.myrouteapp.com/en versão free. Funciona sobre o Google Maps, da mesma forma que se escolhem percursos no Google Maps e permite, ligando o aparelho GPS ao computador, Garmin ou TomTom, transferir os percursos directamente para os mesmos, sem necessidade de conversões pelo meio. Tem também a vantagem de “armazenar” todos os percursos que vamos fazendo, permitindo recuperá-los em qualquer momento. A aplicação também permite guardar e enviar os ficheiros dos percursos em linguagem GPX, 1.0 e 1.1, funcionalidade muito útil para partilhar os percursos, numa forma fácil de serem carregados nos GPS de outras pessoas. Já experimentei outras aplicações, mas foi esta que me pareceu mais útil e friendly. Convém no entanto não esquecer o seguinte. As formas de “funcionamento” destas aplicações, incluindo o Google Maps, são totalmente diferentes da forma de funcionamento dos GPS. Os GPS’s são máquinas pensantes, por vezes com vontade própria que, em função dos critérios escolhidos e dos pontos de passagem obrigatórios, waypoint’s, que estabelecemos, decidem qual o melhor “caminho”. Se entre dois waypont’s, existirem várias opções, 2 GPS iguais, com as mesmas configurações e com as mesmas actualizações, podem indicar percursos diferentes. Para termos a certeza que iremos percorrer o percurso previamente escolhido, temos que criar waypoint’s, na aplicação, que não permitam a existência de várias alternativas para o GPS escolher. Em certas zonas e para certos percursos, esta preparação é por vezes trabalhosa, mas depois funciona e vale a pena. Esta conversa já vai longa…Mais uma vez, Obrigado pela Partilha de Informação. Boas Viagens!!

    1. quilometroinfinito says: Responder

      Muito obrigado José Morgado! Essa informação vai ajudar bastante o João a passar as rotas que planeio no Google Maps para o GPS. Compreendo essas vontades do GPS, acontecem nos muito e já concluímos que para evitar isso o trabalho de criar mais pontos é inevitável. Muito obrigado mais uma vez, estamos sempre a aprender 😉

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