Imprevistos em viagem de mota. Como superá-los ou evitá-los.

Imprevistos em viagem de mota

Imprevistos em viagem de mota

Programar ao detalhe as nossas grandes viagens é onde começa a nossa diversão, mas nem por isso evitamos alguns imprevistos em viagem de mota. Eles são a maior certeza quando fazemos uma viagem e o melhor que podemos desejar é que no final acabe sempre tudo bem!

Acontecerá sempre algo que não pensámos e pequenas situações com as quais temos de lidar. Algumas resultam nas melhores histórias a contar e fazem parte das risadas das conversas sempre que as relembramos. Na hora? Na hora não têm piada nenhuma e tudo o que queremos é não ter de passar por elas.

Com algumas situações caricatas (ou não) para contar, partilhamos abaixo situações que já nos aconteceram em viagem, para que pelo menos essas, não se tornem para si um imprevisto!

Relembre que, com muita ou pouca experiência sobre duas rodas ou além fronteiras, faz parte da aventura rumar ao desconhecido e desafiar os nossos limites. Por lá, e com a devida calma, tudo se resolve sobre rodas.

1. Quando estamos perdidos com o GPS

Os tempos modernos trouxeram com eles a facilidade de inserir previamente uma rota  no GPS. Pensamos sempre que podemos cegamente segui-la para onde quer que haja cobertura via satélite. Quando tudo corre como previsto, e a recepção nunca nos falha, esta é normalmente uma opção que nos poupa o trabalho de orientação com o mapa.

Durante a nossa viagem pela Sardenha, mais uma vez inserimos todas as etapas diárias no GPS, de modo a garantir que passaríamos pelos locais pretendidos sem maiores preocupações. Pela primeira vez, tal não correu como programado e o facto de nunca abdicarmos do mapa em papel foi o que nos ajudou.

Ora a funcionar ora a variar, o nosso GPS não gostou da ilha Sardenha. Mesmo em zonas amplas e sem vegetação, era frequente perder-se no mapa do mundo e encaminhar-nos para locais sem sentido.

Porque situações como esta podem acontecer pelos mais variados motivos, inclua nas suas bagagens os Mapas Michelin dos destinos que visitará. Marque com caneta de cor o exacto roteiro a percorrer e os locais onde cada etapa termina (alojamento).

É também importante que tenha noção aproximada do local onde se encontra. Não confie demasiado no GPS ao ponto de deixar de saber em que área se encontra. Memorize pequenas referências como igrejas, restaurantes, serviços, zonas de florestas e, o ideal, alguma das últimas povoações por onde passou. A partir daí saberá o local aproximado onde se encontra no mapa e será fácil seguir o rumo correcto. Em caso de desnorteio total, é também importante que ao ler o mapa saiba os pontos cardeais e para que lado está virado (N, S, E ou W). Por isso, inclua também nas bagagens uma pequena bússola.

♦ Não abdique do mapa em formato papel nas bagagens

marcar viagem de mota personalizada
Mapas Michelin
de mota personalizada
Percurso traçado no Mapa Michelin

2. Quando o caminho mais rápido é descer a escadaria ao lado

Como em tantos locais pela Europa, inclusive em Portugal, percorrer povoados de estreitas estradas é uma situação comum. Por isso, entrar numa via mais apertada não nos surpreende e nem sempre questionamos com a devida atenção as instruções do nosso GPS.

No entanto, ele indica-nos por vezes, caminhos pouco aconselháveis a percorrer de mota.  De facto, este na foto abaixo é o caminho mais rápido e mais panorâmico até ao centro da bela Korcula, mas talvez não o mais indicado para fazer em duas rodas.

Hoje, uma situação caricata para relembrar, na altura, um imprevisto em viagem que nos colocou na difícil posição de virar sozinhos a nossa enorme  e pesada mota numa descida rumo a uma escadaria.

♦ Aprender a ser crítico em relação às sugestões do nosso GPS é meio caminho andado para evitar uma bela cilada! 

Imprevistos em viagem de mota. Na Croácia, Ilha de Kórcula
Imprevistos em viagem de mota. Na Croácia, Ilha de Kórcula
Imprevistos em viagem de mota. Na Croácia, Ilha de Kórcula
Imprevistos em viagem de mota. Na Croácia, Ilha de Kórcula

3. Colocar objectos junto ao guiador

Seja por um rápido piquenique algures, ou por uma breve paragem para uma refrescante bebida, é comum usarmos a nossa mota como suporte temporário de todo o tipo de tralha durante uma viagem: para abrir as malas e procurar ou arrumar um casaco, para pousar a máquina fotográfica ou uma eventual coisinha que acabámos de comprar e em breve arrumaremos nas bagagens, etc.

No nosso caso, foi uma garrafa de Coca Cola que nos lembrou que devemos ter cuidado com o colocamos junto ao guiador da nossa mota. A garrafa que comprámos numa das áreas de serviço francesas, por onde parámos numa viagem com destino aos Alpes, foi pousada em cima da mota e, por algum motivo, caiu direitinha ao “triângulo” de suspensão onde ficou alojada por quilómetros. 

Depois de percorrer as curvas loucas do Col D’Izoard, Col du Mont Cénis e o Col de L’Isèran, foi no Col du Petit Saint Bernard que o João pensou ter algum problema mecânico na mota: não conseguia curvar como era suposto e a direcção estava comprometida. Comprometida pela tal garrafa de Coca Cola, que entretanto se deslocou e poderia ter provocado um acidente.

♦ Evite colocar objectos em cima da mota junto ao guiador! 

Imprevistos em viagem de mota. Em Col du Petit Saint Bernard
Imprevistos em viagem de mota. Em Col du Petit Saint Bernard

4. Documentos necessários: Declaração Amigável de Acidente em Português!

Felizmente por falta de experiência, nunca nos tinha ocorrido a importância de levar connosco a Declaração Amigável de Acidente Automóvel. Numa das nossas viagens de mota, tivemos um pequeno acidente onde o documento nos foi necessário e nós não o tínhamos.

Estávamos em França, com conhecimentos básicos de francês, a falar com um casal idoso de franceses e a preencher uma declaração em francês.

Foram as condições favoráveis reunidas para falhar no preenchimento correcto do documento. Situação que agrada às agências de seguros que aproveitam a oportunidade para poupar uns trocos. Para si, mesmo não sendo responsável pelo acidente, resta-lhe assumir os custos inerentes.

A declaração em português teria facilitado a leitura e interpretação do documento, assim como a correcta escolha da coluna 12. respeitante às circunstâncias do acidente. Se está num país onde não domina a língua, sentirá falta deste pequeno papel nas suas bagagens!

♦ Coloque junto aos documentos da mota, a Declaração Amigável de Acidente Automóvel.

Imprevistos em viagem de mota. Declaração Amigável de Acidente em Francês
Imprevistos em viagem de mota. Declaração Amigável de Acidente em Francês

5. Troca de pneus inesperada em viagem

Amantes das viagens em duas rodas há já alguns anos, conseguimos ter a noção aproximada dos quilómetros que os nossos pneus nos permitem fazer durante a sua vida útil.

Assim, durante a programação do nosso roteiro estimamos os quilómetros a percorrer e os quilómetros médios que cada tipo de pneu tolera rolar em condições de segurança. Quando a diferença resulta numa troca de pneu em viagem, adaptamos o nosso roteiro de forma a agendar uma troca no local que melhor nos convém.

Geralmente recorremos aos concessionários da marca, orçamentando e agendando atempadamente antes da viagem. Quando não nos é possível pela inexistência de algum nas proximidades, recorremos a conhecidas casas de reparações/substituições rápidas (Midas, Feuvert, etc).

Mas durante esse processo, é a palavra previsto que se aplica e não imprevisto. E foi isso que aprendemos durante a nossa viagem pelas ilhas Córsega e Sardenha.

Quando o desgaste do pneu é superior ao esperado

O calor que se fez sentir e o tipo de pavimento (alcatrão muito rugoso e gravilhas) na maioria das pequenas estradas da Córsega, levou a um desgaste excessivo do pneu traseiro.

Como qualquer bom imprevisto, a hora e o dia em que acontece é normalmente dos mais inconvenientes! Sexta-feira no final da tarde não é a altura ideal para procurar uma boa solução.

Mesmo assim, perto do concessionário do BMW Motorrad de Ajaccio, tentámos a substituição nas suas oficinas que prontamente se recusaram a ajudar. Com o pneu em stock mas sem marcação, não foi a primeira vez que nos negaram assistência (malandros).

Por este motivo, e pela falta de segurança em andar de mota com o pneu nas condições abaixo, fomos obrigados a interromper o nosso passeio e regressar no próximo ferry para Marselha, onde conseguimos reserva na BMW Motorrad de Marselha depois de muitos telefonemas.

♦ Leve consigo os contactos das oficinas locais, pois facilitará a procura e reserva de última hora. A rapidez de um telefonema pode ser decisiva para um plano B imediatamente bem sucedido. 

Imprevistos em viagem de mota. Desgaste excessivo do pneu.
Imprevistos em viagem de mota. Pneu em fim de vida!

6. A troca de lâmpadas

Não sabemos se é o caso da sua mota, mas no que à nossa companheira de estrada diz respeito, é perita em consumos de lâmpadas H7. Em todas as grandes viagens é necessário comprar 1 a 2 lâmpadas de substituição.

Para nós, o imprevisto não está na necessidade de troca de lâmpadas, está sim no preço delas quando estamos em países como a Suíça onde nos cobram cerca de 40 € por uma.

De modo a evitar gastos imprevistos e excessivamente caros, sugere-se que leve consigo uma nas bagagens. Algumas marcas oferecem pequenas caixinhas engraçadas e úteis para as acondicionar durante o transporte.

♦ Inclua lâmpadas de substituição nas bagagens sempre que faz grandes viagens e poupará euros!

Imprevistos em viagem de mota.
Imprevistos em viagem de mota.

7. Quando a mota cai no chão

Já deixámos cair a nossa mota  ao chão alguma vez? SIM! Sempre enquanto parados e em resultado de uma perda de equilíbrio muito fácil nessas condições. É desanimador e coloca-nos em stress, mas manter a calma é essencial.

Em especial quando se viaja sozinho, torna-se mais complicado levantar a mota do chão. Nem sempre o jeito e a força estão a nosso favor e por isso partilhamos uma técnica que aprendemos e nos tem sido útil para levantar motas pesadas como a nossa. Veja o video aqui.

Como levantar a mota sozinho em 5 Passos:

♦ 1º Passo (Opcional) –  Seguindo a dica do João, em primeiro lugar diga o seu palavrão favorito (ajuda a descontrair).

♦ 2º Passo – Desligue a mota.

♦3º Passo – Abra o descanso lateral se a mota estiver tombada para o lado que o permita. (evita que em caso de impulso mais descontrolado, a mota tombe novamente para o outro lado).

♦ 4º Passo –  Vire-se  de costas para a mota, dobre os joelhos, coloque o braço direito no guiador e o esquerdo num local reforçado (ex: barras de fixação de malas).

♦ 5º Passo – Estique as pernas de modo a levantar a mota e aplicando a maioria da força nas pernas em não nas costas.

Estacione a mota, relaxe uns minutos, esqueça o assunto e boas curvas!

A imprevistos destes ainda nunca conseguimos tirar fotos pois a nossa prioridade é levantar a mota! É um daqueles casos que não tem piada nenhuma, especialmente antes de vermos se as protecções laterais cumpriram o seu objectivo.

♦ Aprenda a técnica certa para levantar a sua mota sozinho e com o menor esforço possível

8. Furo em viagem

Um dos imprevistos que mais facilmente podem acontecer, é ter um vulgar furo. Hoje em dia, pode facilmente ser ultrapassado através dos serviços de assistência em viagem. Contudo, estes podem ser condicionados/demorados pelo horário/local em que se encontra e colocar em causa o planeamento de toda a viagem.

Assim, deverá ter sempre à mão, um kit anti-furo cuja facilidade de utilização lhe trará, entre outras vantagens, a autonomia para de uma maneira segura e rápida resolver o problema de forma independente.

Imprevistos em viagem de mota. Kit anti furo
Imprevistos em viagem de mota. Kit anti-furo

♦ Leve sempre na sua bagagem e aprenda a usar um kit anti-furo

9. Problemas com as reservas em alojamentos

Referimos sempre que somos adeptos de reservar previamente os locais onde vamos pernoitar. Mas se o fazemos para evitar alguns imprevistos, existem sempre outros a surpreender-nos.

Na Áustria chegamos a um alojamento rural e encontrámos a proprietária com um pouco de “pinga a mais”. O estado em que se encontrava impedia-a de se lembrar que tínhamos uma reserva (apesar da confirmação impressa). Felizmente, o local não estava cheio e uma cama livre esperava por nós.

Mas já o oposto nos aconteceu e, com essa experiência, ficámos a saber como agir em caso de overbooking nos alojamentos eleitos. Porque privilegiamos o Booking.com para realizar as nossas reservas, temos sempre a garantia que se algum erro surgir, a empresa resolverá a situação e assumirá todos os encargos.

Depois de ficarmos a saber que afinal a nossa reserva confirmada tinha sido um erro da propriedade, os operadores do Booking (com call center em português) trataram de tudo para resolver o problema e arranjar um alojamento alternativo nas proximidades. Temos direito a um alojamento novo da mesma categoria ou superior, refeições e despesas de transporte se necessário.

♦ Leve sempre consigo uma confirmação impressa da sua reserva

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23 Replies to “Imprevistos em viagem de mota. Como superá-los ou evitá-los.”

  1. Excelente! Muito Obrigado!

    1. quilometroinfinito says: Responder

      Obrigado também nós José Morgado. Por sempre acompanhar o que partilhamos. Boas curvas

  2. Belo site, tem sido uma inspiração para mim. também já fiz belas viagens de moto, há 3 anos Itália, com passagem por Barcelona, Roma, Florença, Pizza, (as principais) rumo ao Mónaco, fazer a estrada de Cot D´Ázur até St. Tropez, Andorra, Lisboa, A do ano passo foi fazer a Costa da Galiza. Mas com a ajuda do vosso site, estou a planear a viagem até aos Alpes. Muita saúde e boas curvas.

    1. quilometroinfinito says: Responder

      Obrigado Paulo! Desejamos lhe uma excelente viagem até aos Alpes. Com certeza um excelente destino para juntar à sua lista!

  3. Muito Bom quem gosta de Motas, e viajar podia estar horas e ver isto

    1. quilometroinfinito says: Responder

      eheh Obrigado Sérgio! 😉

  4. Dicas super importantes! Em especial a que fala do estado dos pneus. Muitos condutores esquecem desse pormenor quando fazem grandes viagens e pode mesmo ser um grande risco.

  5. Excelente post para quem adora viajar de mota 🙂 As dicas vão dar muito jeito na nossa próxima viagem de mota!

  6. Viviane Carneiro says: Responder

    Parabéns pelos post, muito completo e com dicas imperdíveis para quem viaja de moto. Muito bom esse post para orientar e ajudar na segurança da viagem.

  7. Ótimas dicas 🙂 Principalmente quanto a não confiar 100% no GPS, já me meti em várias enrascadas por conta disso. rs. Nunca fiz uma viagem de moto, mas faz tempo que planejo com meu marido. Recentemente fizemos uma de bicicleta e só me atiçou mais o gosto pelas viagens sobre duas rodas.

    1. quilometroinfinito says: Responder

      Olá Fernanda! Obrigado 🙂 Força nisso! Programe uma viagem em duas rodas mas sem pedalar tanto eheh De mota é também fabuloso! Quanto ao GPS… como costumo dizer ao meu marido: é cilada eheh

  8. E eu achando que o maior problema de viajar de moto seria a chuva! Ri muito com o caminho pela Croàcia. Como assim? E se fosse com carro? Como faria?

    1. quilometroinfinito says: Responder

      A chuva é chata, mas um bom fato resolve eheh a loucura do GPS é que as vezes não tem cura eheh

  9. Dicas como essas por quem já viveu são sempre importantes para quem pretende seguir estes passos. Muitas delas podem ser adaptadas para todos os viajantes como o mapa de papel e os pneus. Nunca se sabe o que as estradas nos reservam, não?!

  10. aaaahuehaue adorei a dica de descer as escadarias, com ctz da uma boa economia no tempo…no inicio pode se rmeio complicadinho mas depois que pega o jeito! eu nunca viajei de moto, so peguei carona na cidade e garanto que nao saberia subir a moto novamente (e nem se teria forca pra isso!)
    esse do gps tb vale para quem ta indo de carro, as vezes o negocio buga, nao tem 3g e a unica coisa q sobra eh o mapa em papel!

    1. quilometroinfinito says: Responder

      O GPS às vezes é meio engracadinho! Ehehe

  11. Definitivamente se eu soubesse andar de moto, faria várias viagens assim!!!

  12. Obrigado pelas dicas. Algumas já tinha pensado nelas, noutras foi um encher da bagagem de conhecimento. Bom trabalho.

    1. quilometroinfinito says: Responder

      Ainda bem que sim Fernando! Boas viagens!

  13. Sempre fico pensando isso mesmo, viajar de moto ou mesmo de carro por um trajeto muito longo aumenta bem o risco de perrengues. Muito bom post, boas dicas.

  14. Excelente artigo! Descobri o vosso blog e ainda não consegui parar de ler os vossos artigos.
    Já fiz uma viagem aos Picos da Europa, felizmente não aconteceu nenhuma das situações. Éramos 4 motas e foi excelente.
    Boas curvas!

    1. quilometroinfinito says: Responder

      Olá! Muito obrigado 😉 realmente os Picos são fabulosos e uma grande viagem! Continuação de boas curvas e que por aqui se inspire para novas viagens 😉

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