Roteiro no Parque Natural do Douro Internacional entre o Vale do Côa e do Sabor | Região de Trás-Os Montes e Alto Douro

Parque Natural do Douro Internacional

A região de Trás-os-Montes e Alto Douro, exerce em nós um forte magnetismo quando uma viagem de mota por Portugal planeamos. Em pequenos percursos de fim-de-semana ou numa estadia mais prolongada, o interior Norte de Portugal é um dos nossos destinos preferidos. Agora, para um passeio de dois dias pela região, definimos um roteiro pelas estradas mais pequenas do Parque Natural do Douro Internacional. Viajando entre os vales dos rios Côa e Sabor, afluentes do nobre Douro, que aqui enaltecem a força da natureza e a sua enorme capacidade de nos surpreender, e cativar, em todas as vezes.

Apesar de incontáveis vezes termos visitado a região, desde a infância à idade adulta, mais uma vez comprovamos não importa quantas vezes tomamos o mesmo rumo. Encontraremos sempre algo distinto que nos fascina e que nos faz sentir que percorremos um novo local. Seja pela luz distinta de um dia entre o sol e aguaceiros, seja pelo novo cantinho que ali não imaginávamos a que fomos parar. Essa é uma das vantagens de nem sempre seguir um roteiro pré-definido, e viajar ao sabor do acaso, perdendo-nos por novos pequenos mundos.

Parque Natural do Douro Internacional
Estrada EN325. Parque Natural do Douro Internacional
Parque Natural do Douro Internacional
Município de Freixo de Espada à Cinta. Parque Natural do Douro Internacional
Parque Natural do Douro Internacional
Parque Natural do Douro Internacional

Sobre o Parque Natural do Douro Internacional

O Parque Natural do Douro Internacional é um parque natural que abrange toda a área em que o rio Douro delimita a fronteira entre Portugal e Espanha, no Nordeste de Portugal. Uma das regiões mais montanhosas e escarpadas do país, é percorrida por uma rota entre inúmeros miradouros, zonas de cultivo, barragens, cais fluviais, etc.

Quando a montanha o permite, os vales, encostas e planaltos desta região transmontana são revestidos pelos cultivos tradicionais. Muitos produtos de sequeiro, tendo em conta que por aqui o Verão é quente e seco. As habituais vinhas que predominam pelo Alto Douro, os olivais e amendoais que revestem os campos por extensões a perder de vista e alguns laranjais em algumas zonas aninhadas nas vertentes soalheiras dos penhascos. Trás-os-Montes é um jardim gigante e cada nova visita, é com grande agrado que notamos que a região ganhou uma nova vida e as suas terras estão agora cuidadosamente cultivadas.

Entre os vales dos rios Côa e Sabor, no seu caminho para o Douro

Desta vez em particular, estamos entre o Vale do Côa e do Sabor, entre os concelhos de Torre de Moncorvo, Freixo de Espada à Cinta, Vila Nova de Foz Côa, Figueira de Castelo Rodrigo e Mêda. Os dois rios que também aqui modelam a paisagem há milénios, são afluentes do Douro e fazem o seu caminho para a foz entre a nobreza das paisagens caóticas e escarpadas do Parque Natural do Douro Internacional.

Rota das Amendoeiras em Flor
Rio Sabor. Saída Norte de Torre de Moncorvo.

Qualquer que seja o percurso tomado, será sinuoso, abrupto e de enorme valor natural. Citando o poeta Guerra Junqueiro, por aqui contemplamos ” o belo horrível” onde algumas das mais belas estradas de Portugal nos levam a desfilar pela beleza avassaladora dos cenários existentes.

As estradas rasgam as montanhas que afloram em forma de imponentes rochedos de xistos e quartzitos. O vento, os rios e o Homem, moldaram os cenários naturais desta zona desde há milénios. Aqui existem também dezenas de rochas, onde as comunidades pré-históricas que habitaram a região gravaram a sua visão do mundo que as rodeava, repleta de animais e todas as etapas relacionadas com a sua caça.  Estamos também no Parque Arqueológico do Vale do Côa, um dos maiores locais de arte rupestre pré-histórica do mundo. 

Pelas vinhas do Parque Natural do Douro Internacional
Pelas vinhas do Parque Natural do Douro Internacional
Parque Natural do Douro Internacional
Os olivais pela Estrada N325.

Locais naturais a visitar e pequenas estradas a percorrer no Douro Internacional

Calçada de Alpajares e o vale da Ribeira de Mosteiro

São poucas as vezes em que nos apetece trocar o fato de motociclista pelo equipamento de caminhada. Apesar de termos consciência de que o mundo fora de estrada, e apenas acessível por caminhadas, é outra realidade que nos revela segredos naturais distintos, é em duas rodas que optamos por unir o prazer do contacto com a natureza, com a liberdade de viajar. Mas, neste local em particular, sentimos que este ambiente enigmático, merece ser vivido passo a passo. Voltaremos para o fazer com certeza. Por agora, ficamos-nos pela sumptuosidade dos cenários por onde a estrada nos guia.

A estrada de acesso a uma das extremidades do trilho pedestre da Calçada de Alpajares, é uma das mais avassaladoras e surpreendentes de todas as que já percorrermos em Portugal. Aqui entramos no vale da ribeira do Mosteiro e somos de imediato transportados para uma brutalidade de paisagens que jamais ali imaginaríamos. Tão distinta de outras paisagens por Portugal, arrisco-me a afirmar que em mais nenhum local do país tivemos oportunidade de contemplar cenários naturais equivalentes. 

Apesar de ser um percurso não muito extenso, é extraordinariamente surpreendente e rico em património histórico, envolto num caos de rochedos com uma extensa história geológica. Aqueles curtos 6 km que separam as extremidades do percurso, são para ser percorridos devagar, devagarinho. Não só pela geometria do traçado, que segue sempre por altitude pouco variável, mas feito por uma estreita estrada. Mas também para contemplar a paisagem de pronunciados declives e precipícios eminentes a nosso lado.

Percurso inicial para a estrada da Ribeira de Mosteiro
Percurso inicial para a estrada da Ribeira de Mosteiro
Percurso inicial para a estrada da Ribeira de Mosteiro
Estrada da Ribeira de Mosteiro

Os passes da época antiga

Já a meio caminho, surge no horizonte montanhoso um perfil de ziguezages a subir entre arribas de calhaus pontiagudos. Vislumbramos o trilho para a Calçada de Alpajares, um dos mais interessantes percursos pedestres do país. Aquele que, em jeito de analogia aos tempos modernos, classificamos como: os passes da época antiga. Já imaginaram as carroças dos romanos a descer em modo curvilíneo embaladas encosta abaixo? Soa a adrenalina. Sim, porque o traçado original irrompe montanha abaixo, por entre 28 curvas num percurso feito de pedras de xisto travadas em forma de patamar. Estes engenheiros da antiguidade ainda não sabiam o que era andar de mota, mas a sua sabedoria estava já além do seu tempo.

Trilho para a Calçada de Alpajares
Trilho para a Calçada de Alpajares

Os rochedos elevam-se formas mais variadas que a geologia lhes permite. Numa embrulhada de marcas de movimentos tectónicos com vários milhões de anos. Paredes naturais, dobras de larga escala e muitas falhas que servem de abrigo a uma diversidade imensa de aves das escarpas: a águia-real, o grifo, a cegonha-preta, o abutre, o papa-figos, o abelharuco, etc. Estará o ecoar do nosso motor, que por este anfiteatro natural se acentua, a perturbar o repouso de tais espécies? Prometemos não demorar muito.

Vale da Ribeira de Mosteiro. Inicio do trilho para a Calçada de Alpajares
Ribeira de Mosteiro. Inicio do trilho para a Calçada de Alpajares
Parque Natural do Douro Internacional
Vale da Ribeira de Mosteiro. Parque Natural do Douro Internacional

Desvio à N221 – Poiares pela CM 1181 | Estrada com declive acentuado

Visitar o Parque Natural do Douro Internacional entre o vale do Côa e do Sabor, é também percorrer em toda a sua extensão a estrada N221. A N221 prolonga-se por sinuosos quilómetros entre os concelhos de Pinhel, a Sul, e Miranda do Douro, a Norte. Pelo caminho estão Figueira de Castelo Rodrigo, Barca D’Alva, Figueira de Castelo Rodrigo e Mogadouro. Se é a primeira vez na região, recomendamos que seja enquadrada num roteiro para um percurso, ora à beira rio, ora entre os imensos olivais, amendoais, laranjais e vinhedos da região do Alto Douro.

Por sua vez, é obrigatório não deixar a zona sem sair do itinerário principal da N221 quantas vezes sejam possíveis. Quanto mais viajamos de mota por Portugal, mais consolidamos a ideia de que as estradas nacionais são espinhas dorsais sugestivas para aceder aos mágicos desvios municipais que por elas vão surgindo. E, entre Barca d’Alva e Freixo de Espada à Cinta, fugimos ao troço ribeirinho para a CM1181.

Estrada com declive acentuado é a sinalética que se lê em ambas as suas extremidades. Um anúncio do que nos espera que nos faz antever adrenalina sobre rodas. Em Portugal, só testemunhámos uma sinalética semelhante na Serra da Estrela, no fabuloso Loriga Pass, ou nas estradas da Ilha de São Miguel, nos Açores. O divertimento foi garantido, assim como o aumento do ritmo cardíaco. Por aqui não foi diferente.

Parque Natural do Douro Internacional
Parque Natural do Douro Internacional

A soberba estrada panorâmica de Poiares CM1181

Seguimos rumo ao coração das montanhas pela CM1181. Poiares é a pequena aldeia que temos como referência mal iniciamos o seu curso. Rapidamente entendemos que ganhamos altitude em poucos minutos. Estamos agora num privilegiado local de largos e majestosos horizontes, onde contemplamos o curso do Douro, muitos metros abaixo da nossa cota, e Espanha na outra margem.

Em jeito de patamar privilegiado a CM1181 segue, ora entre curvas pronunciadas, ora entre rectas panorâmicas. Lá ao fundo está o panorama geral do percurso que acabáramos de fazer, envolto nos tons verde e acastanhados das paisagens transmontanas, a contrastar com o azul forte do rio. Seguimos para o Miradouro do Penedo Durão, ali ao lado e um dos mais afamados do Douro Internacional.

A fabulosa estrada panorâmica de Poiares CM1181
Estrada panorâmica de Poiares CM1181
Estrada panorâmica de Poiares CM1181
Parque Natural do Douro Internacional Estrada CM1181
Miradouro de Penedo Durão, Freixo de Espada à Cinta
Miradouro de Penedo Durão, Freixo de Espada à Cinta

Parque Arqueológico do Vale do Côa, a Arte Rupestre na região

Podemos rumar ao Douro Internacional pela gastronomia, pelas estradas, pelas paisagens, pelas actividades na natureza, pela História e Arqueologia da região, etc. Podemos centrar um roteiro em cada um dos motivos anteriores, misturando em percentagens distintas alguns deles, ou fazendo uma miscelânea da variedade que por terras transmontanas encontramos. É por isso que já visitámos a região inúmeras vezes, sem nunca fazer o mesmo roteiro e voltaremos tantas outras, com novas variedades.

Referimos agora o Parque Arqueológico do Vale do Côa como um sugestivo motivo para estacionar a mota por umas horas e partir à descoberta dos segredos da região que nos remetem à era primitiva. Uma viagem no tempo para compreender a vida dos nossos antepassados que aqui encontraram um refúgio para as suas comunidades. Ainda nos tempos actuais, estas terras continuam a ser um paraíso para se viver.

Parque Arqueológico do Vale do Côa

Na região do Mazouco, logo depois do Miradouro do Colado, a estreita e inclinada estrada de acesso ao rio leva-nos a conhecer as gravuras rupestres do Mazouco, a curtos passos do acesso pavimentado. Mas dezenas de outras se multiplicam pelo Parque Arqueológico do Vale do Côa, onde recomendamos uma visita guiada para conhecer a arte rupestre, que é Património Mundial da Unesco. Aquela que conseguiu impedir a construção de uma barragem nos anos 90, com o célebre movimento ” As gravuras não sabem nadar”. Assim se preservaram as gravuras e se manteve o Vale do Côa, como dos poucos rios em Portugal que não foram alterados pelas obras de aproveitamento hidroeléctrico das suas águas. Hoje em dia em Vila Nova de Foz Côa, está o Museu do Côa com vista para o vale e para a N222 que ali a poucos quilómetros termina o seu caminho.

Clique aqui para conhecer o percurso completo da Estrada N222 

Como um imenso museu ao ar livre, o Vale do Côa apresenta milhares de rochas com gravuras rupestres, identificadas em mais de 80 locais distintos, onde a predominância de gravuras paleolíticas executadas há mais de 25.000 anos é notória. Muitos locais, acessíveis apenas por percursos fora de estrada, o acompanhamento com guias é recomendado. Não só pela optimização do passeio, como na ajuda a identificar as gravuras e enquadrar toda a história da sua existência. No Museu do Côa é possível agendar as visitas. Mais informações aqui.

Outros roteiros pela região

Como já referimos anteriormente, visitar o Douro Internacional e toda esta região de Trás-os-Montes é possível sob a forma de multifacetados roteiros. Por aqui no blogue já anteriormente partilhámos outros roteiros, possíveis e recomendáveis para enquadrar com este.

Uma viagem especial de Primavera? É obrigatório fazer a Rota das Amendoeiras em Flor. Uma das melhores estradas de Portugal nos arredores do Douro Internacional? Falamos da M611 que está ali ao lado, com vistas para a Foz do Sabor. E a N222 cujas imagens correram o mundo com o destaque numa das melhores estradas para conduzir? Começa no Parque Arqueológico do Vale do Côa. E se seguirmos para Norte, continuamos num mundo de montanhas avassaladoras até Miranda do Douro, a terra dos pauliteiros e do Menino Jesus da Cartolinha.

Sugestão de Alojamento no Parque Natural do Douro Internacional

Com vistas para os vinhedos do Vale da Vilariça, nos arredores de Torre de Moncorvo, a Quinta da Terrincha é um dos bons locais para pernoitar na região, para um roteiro pelo Parque Natural do Douro Internacional. Dispõe de casas com cozinha, sala de estar, casa de banho e quartos duplos ou individuais e oferece pequeno-almoço incluído na estadia. A Quinta da Terrincha é instalada entre os seus próprios vinhedos, totalmente murada e com estacionamento seguro para as motas. A piscina é um dos pontos altos para, num dia de calor, dar uns mergulhos de final de dia. Para mais informações sobre disponibilidade, consulta de preços e reservas online clique aqui.

Outros alojamentos no Parque Natural do Douro Internacional

Sugestão de Restaurante no Parque Natural do Douro Internacional

Mapa do Percurso pelo Parque Natural do Douro Internacional entre o Vale do Côa e do Sabor

Para consultar o mapa em detalhe, clique sobre ele ou utilize o canto superior direito para abrir directamente na página do Google Maps. Poderá fazer o zoom necessário para ver a rota em pormenor ou exportar para o GPS como preferir. Clicando no canto superior esquerdo, é também possível ler a legenda do mapa em detalhe. Aqui incluem-se as seguintes informações:

  • Locais de interesse histórico e natural
  • Miradouros
  • Aldeias, vilas e cidades atravessadas

Total de quilómetros:  300 km

Tempo mínimo sugerido: 2 dias

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2 Replies to “Roteiro no Parque Natural do Douro Internacional entre o Vale do Côa e do Sabor | Região de Trás-Os Montes e Alto Douro”

  1. Excelente Roteiro, não só pela qualidade dos textos e das imagens, como também pelas úteis sugestões que nos partilha. Já percorri toda esta região várias vezes mas, como aqui bem nos dizem, todas as ocasiões se revelam diferentes e sempre igualmente interessantes. A maior parte das vezes que por ali andei, foi à “boleia” dos Lés-a-Lés, que tem muitas vezes escolhido toda esta zona para nos desvendar as riquezas das Paisagens e Estradas em Portugal. Tenho de lá voltar numa toada mais calma, como os Câmara tão bem aqui nos ensinam. Mais uma vez, Muito Obrigado aos Câmara pelas experiências que aqui partilham connosco. Venham os próximos.

    1. quilometroinfinito says: Responder

      José Morgado o Lés a Lés é uma experiência que nunca tivemos. Temos de tratar disso 😊 realmente Portugal merece ser visitado com calma e repetir lugarea sempre que se poder. Adoramos este. Boas curvas 😊

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