Estamos prontos para partilhar o nosso review dos pneus Michelin Anakee Adventure que equiparam a nossa BMW R1150GSA. Apesar de termos recebido imensas perguntas acerca do seu desempenho ao longo destes meses, é a nossa prática habitual apenas dar a nossa opinião final quando testamos um pneu ao longo de toda a sua vida útil. Quando são novos, todos os pneus tendem a ser bons não é verdade?
Fomos apenas partilhando que, para estarem na nossa mota é porque estavam a cumprir o nosso principal critério: a segurança. Foi a primeira vez que utilizámos este modelo da marca francesa e por isso, apesar de estarem entre os mais bem cotados do mercado, a nossa opinião no blogue apenas surge quando a podemos fundamentar devidamente.
Antes de começar esta nossa avaliação, é importante referir em que condições os Michelin Anakee Adventure foram utilizados. Montados na BMW R1150 GSA, na sua maioria em estradas pavimentadas, com muito pouca percentagem de utilização fora de estrada. Sempre com a pressão recomendada no manual da nossa mota (diferente com carga e sem carga). Pressão essa que é revista e corrigida praticamente todos os dias quando andamos em viagem no estrangeiro e regularmente quando utilizamos a mota por Portugal. Este é um dos principais cuidados a ter com qualquer pneu e aqui deixamos um artigo que os referem detalhadamente.

Sobre os pneus Michelin Anakee Adventure
Os Michelin Anakee Adventure são especificamente concebidos para motos trail para 80% de utilização em estrada e 20% fora de estrada. As motas de trail oferecem um campo de utilização muito amplo e são habitualmente utilizadas tanto em longas viagens por estrada como em algumas etapas fora de estrada. Combinam geralmente a utilização em grandes viagens de aventura com deslocações diárias do quotidiano.
Como tal, os Anakee Adventure incluem-se na gama de pneus polivalentes que tentam oferecer um elevado nível de aderência em piso seco e molhado em estrada, e a tracção necessária para uma esporádica incursão em fora de estrada. Quando trouxemos a nossa trail para a garagem, considerámos logo colocar-lhe uns pneus de tais características. Pela questão estética e pela eventual necessidade de percorrer maus caminhos.

Review dos Michelin Anakee Adventure
Segurança | Michelin Anakee Adventure
A segurança que nos transmite a conduzir é a principal característica que avaliamos quando escolhemos os melhores pneus para as nossas aventuras. O desempenho a curvar e a aderência ao piso seco e molhado são essenciais num pneu. E o que dizer sobre os Michelin Anakee Adventure? Que os levámos ao limite da intempérie e regressámos com a certeza de que encontramos pneu misto com uma qualidade superior, perfeitamente capaz de rolar com a segurança necessária.
Durante os 10 dias de viagem de mota pelos Alpes fomos confrontados com vários tipos de estradas e condições climatéricas extremas. Fizemos milhares de quilómetros com os Anakee Adventure, e muitos deles em piso molhado. Confesso que pela primeira vez a experimentar esta referência, e habituada ao grau de excelência dos Michelin Road 6GT que equipam a nossa BMW R1200RT, foi com alguma apreensão e nervosismo que encarei os dilúvios alpinos.
”João podes ir mais devagar? Vai com cuidado pois não conhecemos estes pneus muito bem ainda. ” Dizia eu dentro do capacete. ”Não vês que já fizemos muitos quilómetros com eles e já não temos motivos para tanto medo?” Responde-me ele já ligeiramente irritado. Sosseguei! A verdade é que em nenhum momento senti o pneu a escorregar, mas ainda não tinha partilhado essa minha preocupação com o João. A comunicação entre condutor e pendura é fundamental e a resposta do João deixou-me logo mais confiante. Eis curvas do Passo dello Stelvio em piso molhado no vídeo abaixo:
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O derradeiro teste em piso molhado nas estradas alpinas
Durante vários dias debaixo de chuva forte, e estradas absolutamente alagadas em água, apesar de não serem concebidos para 100% estrada, e os Anakee Adventure revelaram-se uns companheiros à altura do desafio. E naquele momento em que entramos numa estrada de alta montanha alpina que não imaginávamos ser fora de estrada, ter um pneu misto montado dá uma confiança adicional.
É também de referir que fomos para os Alpes com os Michelin Anakee Adventure a mais de meio piso e não lhe notámos perda de performance brusca. Ao longo de todos os 18 000 quilómetros podemos afirmar com convicção que tivemos um pneu a cumprir o seu requisito principal.

Passo dello Stelvio com Michelin Anakee Adventure

Passo Maniva (fora de estrada)
Conforto | Michelin Anakee Adventure
Os Michelin Anakee Adventure conseguem ser um pneu muito confortável, sem comprometer as suas prestações dinâmicas. Não sendo um puro estradista, não condiciona a sua utilização em estrada pelo facto de ambicionar sujar o pé na lama.
Ainda no que ao conforto diz respeito há diferentes opiniões entre o condutor e a pendura. Especialmente no que se refere ao ruído do pneu. Nos primeiros cerca de 3000 a 4000 km de utilização, eu ouvia ruído no pneu na passagem em algumas estradas com muros de betão, rails, jersey’s etc. Já o João nas mesmas circunstâncias mal o notava. É curiosa a diferente percepção sonora consoante a posição na mota. Com o avançar dos quilómetros o ruído desapareceu e o conforto neste aspecto aumentou.

Michelin Anakee Adventure

Durabilidade | Michelin Anakee Adventure
- Pneu traseiro: 18 000 km
- Pneu dianteiro: 18 000km
Consideramos que no que à durabilidade diz respeito 18 000 quilómetros é uma excelente quilometragem. Importante referir uma vez mais que estes pneus estão a ser avaliados no uso de uma BMW R1150GSA que viaja maioritariamente com carga de bagagens e pendura.
Numa mota mais leve podem durar mais e numa mais pesada durar menos. A cilindrada é igualmente importante, uma mota de maior potência vai gastar mais pneu mas por aqui podemos apenas dar o feedback da utilização nas nossas motas.

Pneu traseiro com 18 mil km
O pneu dianteiro ainda poderia fazer mais uns quilómetros em segurança, diria que talvez uns 1000km. Por sua vez, consideramos boa prática seguir as recomendações das marcas: trocar ambos os pneus e manter o equilíbrio.
Ao longo de todos os quilómetros percorridos, os Michelin Anakee Adventure apresentaram um desgaste uniforme e equilibrado, sem apresentar deformações anómalas. É normal, e de esperar, que a faixa central apresente um desgaste ligeiramente maior do que as laterais. Uma vez que esta mota tem uma utilização maioritariamente carregada e com algumas etapas em auto estradas.
Este desgaste homogéneo justifica-se de certo pela combinação das duas tecnologias patenteadas pela Michelin: o bi-composto 2CT e 2CT + (reforço na faixa central), associadas com a tecnologia Sílica Rain Technology (SRT) de uma borracha à base de sílica na banda de rolamento. Estas são também responsáveis pela aderência em superfícies secas e molhadas.

Michelin Anakee Adventure
Custo | Michelin Anakee Adventure
Os Michelin Anakee Adventure são pneus de gama premium dos quais se esperam altas performances que justifiquem o investimento. Consideramos que o custo de um pneu está directamente relacionado com a sua durabilidade média em condições de segurança.
O factor económico é sempre relativo. Um modelo pode até ser mais económico, mas se fizer menos quilómetros e/ou se a performance não for perfeita, rapidamente se tornam dispendiosos porque nos obrigam a trocar mais cedo. Segurança em primeiro lugar e, por isso, sempre tivemos uma elevada atenção no momento da escolha do pneus para a nossa mota. Como tal, consideramos que os Michelin Anakee Adventure valem cada cêntimo e têm uma durabilidade fabulosa.
Ainda no que ao preço diz respeito, é importante compreender que o mesmo modelo de Michelin Anakee Adventure tem preços distintos em função da mota onde vão ser montados. Características das motas, das jantes e seus tamanhos, resultam em orçamentos diferentes. Pelo que recomendo que consulte o fornecedor habitual. No nosso caso, quando o João têm tempo e paciência, os nossos pneus são montados em casa. Caso contrário recorremos à nossa oficina de sempre: Pneutec Euromaster Leiria.
Outras informações acerca de pneus
Marcas de segurança no pneu, como interpretar?
Esta é outra das questões que também nos colocam. O que são, e para que servem, as pequenas marcas que observamos nas ranhuras dos pneus? São as marcas de segurança que nos ajudam a saber qual o limite a partir do qual o pneu tem de ser substituído.
Ao longo da utilização, o pneu sofre naturalmente desgaste. As ranhuras vão ficando menos profundas e a diferença entre a superfície do pneu e a marca de segurança diminui. Diminui geralmente de igual forma a capacidade de aderência ao piso, pelo que quando esta marca fica “à superfície” do rasto sabemos que está na hora de trocar os pneus.
Por sua vez, quando o pneu não tem bom desempenho no que à segurança diz respeito, é possível que ainda tenha muito piso para gastar (não atingiu a marca de segurança) mas a perda de performance seja tal que o substituímos de imediato. Este não foi o caso dos Michelin Anakee Adventure que nos acompanharam na nossa mota por toda a sua vida útil.
É importante referir ainda que, a condição para a troca de um pneu não se resume às marcas de segurança. Outros fatores como a idade, desgaste anormal, rasgos, furos, etc, também podem ser condição suficiente que implique a substituição de um pneu.
Cuidados a ter com os pneus
Reforçamos uma vez mais que, a durabilidade dos pneus das nossas motas é directamente proporcional ao cuidado de manutenção de lhe dedicamos. Por isso, deixamos uma vez mais o nosso artigo para consulta:
8 Cuidados a ter com os pneus da mota que aumentam a durabilidade e segurança
Conclusão
Para um pneu misto concebido principalmente para motas de trail para utilização maioritariamente em estrada e pontualmente em fora de estrada, os Anakee Adventure oferecem um compromisso que muito recomendamos. Os 80/20 da Michelin foram os nossos companheiros durante mais de 18 000 quilómetros e revelaram uma durabilidade vs performance muito boa.
Há já algum tempo que temos o apoio da Michelin nos pneus das nossas motas e somos clientes da marca francesa em motas e carros há muitos anos pela qualidade que sempre nos habituou. Esta parceria com a Michelin, a quem muito agradecemos a confiança e reconhecimento do nosso trabalho, não interfere com a nossa opinião sincera nesta página. Este review é escrito com toda a transparência e sem qualquer obrigação imposta pela marca.
A nossa partilha de experiências com equipamentos e viagens neste espaço, é resultado da nossa paixão pelo mototurismo, pela partilha e por alimentar o nosso blogue à nossa imagem: simples, genuíno e descomplicado. E também, para colmatar a falha do mundo virtual que encontrámos quando iniciamos a nossa vida em duas rodas: a falta de informação prática. Todo o conteúdo é criado por nós e à nossa imagem. Boas curvas!
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Muito bom artigo! 👌🏾
Obrigado João 🙂
Excelente artigo, estão como sempre de parabéns! Penso que só falta um registo, que foi a pressão dos pneus utilizada… Gostava de saber qual a pressão que costumam usar com a moto carregada… Abraço
Boa tarde Hugo. Obrigado pelo feedback e mensagem. Em relação à pressão dos nossos pneus, não achamos que deva ser tida como exemplo. Já que a pressão que usamos é a recomendada no manual da nossa mota, e poderá (será) diferente para cada uma. Cumprimentos sempre essa recomendação, quer na RT quer na GSA. Manual da mota e não há mais experiências eheh Veja o da sua e siga a recomendação sempre, é o que fazemos. Boas curvas