Roteiro de 2 dias pela Rota das Amendoeiras em Flor em Trás-os-Montes | Portugal

Rota das Amendoeiras em Flor

No interior do país, há locais perdidos no tempo e no esplendor de uma natureza privilegiada, que merecem a visita em qualquer estação do ano. Mas, este em especial, ganha umas cores maravilhosas na transição Inverno/Primavera. Falamos da Rota das Amendoeiras em Flor, em Trás-os-Montes. Aquela que nos guia por quilómetros e quilómetros entre árvores em flor que anunciam a chegada da Primavera e criam um ambiente mágico em seu redor. Salpicam de um manto florido as paisagens da região onde amendoeiras abundam; e agora também pessegueiros e cerejeiras.

Vindos da zona centro do país, o nosso rumo ao interior norte de Portugal é feito pelas estradas secundárias que nos levam a desfilar por entre inúmeras atracções. Gastronómicas, históricas e paisagísticas.

Passando pela Rota das Aldeias Históricas de Portugal, por Ruínas Romanas, Castelos e Fortalezas da antiguidade, muitas vinhas e muitos olivais, a Rota das Amendoeiras em Flor é um dos mais completos passeios que sugerimos pelo nosso país. Longe das multidões, ao ar puro e por quilómetros de boas estradas. Em todas elas, haverá também um local de paragem para estacionar e seguir para um roteiro gastronómico pelas cozinhas da região. Onde tudo é delicioso.

Entre a região da Beira Alta e Trás os Montes, este é o roteiro que sugerimos para a Rota das Amendoeiras em Flor em especial, mas que poderá ser aproveitado em qualquer estação do ano. Em todas elas encontrará uma beleza especial.

Rota das Amendoeiras em Flor
Rota das Amendoeiras em Flor
Rota das Amendoeiras em Flor
Rota das Amendoeiras em Flor
Rota das Amendoeiras em Flor
Alfândega da Fé: Rota das Amendoeiras em Flor

Dia 1 – Batalha – Trancoso – Marialva – Mêda – Freixo de Numão – Vila Nova de Foz Coa – Torre de Moncorvo | 300 km

Seguimos até à Beira Alta pelo caminho mais rápido. É apenas a partir de Trancoso que iniciamos o modo de passeio. Para trás, e para uma próxima oportunidade, fica a silhueta da Serra da Estrela no horizonte distante. Com toda a imponência da montanha mais alta de Portugal Continental. Sairemos em breve da região das Beiras.

Caso queira compatibilizar uma visita à Serra da Estrela com esta rota consulte aqui: Roteiro de viagem de mota pela Serra da Estrela – As estradas da montanha mais alta de Portugal Continental

Aldeia Histórica de Marialva 

O traçado do actual IP2 é a rápida alternativa à estrada N102 que lhe é paralela. Tomamos a opção antiga. Pela N102 seguimos para norte. Nem só de curvas vive um roteiro de um motociclista. A recta de Marialva é um perfeito exemplo de uma estrada onde as curvas escasseiam, mas a viagem continua a merecer cada quilómetro.

Pelo traçado da estrada N102 o passeio é feito por entre amendoais e muitos campos agrícolas dispostos em sintonia, como se um jardim gigante se tratasse. De repente, ergue-se sobre um penedo rochoso a aldeia fortificada de Marialva e o seu castelo. Uma das 12 Aldeias Históricas de Portugal, esta aldeia é uma das relíquias vivas dos nossos ancestrais e as pedras das suas ruas transportam-nos às raízes da nossa história. Para lá das portas da muralha entramos na cidadela e apreciá-la com tempo é recomendado.

Estacionamos a mota fora da fortaleza. Evitando as manobras por entre ruas de pedra estreitas e inclinadas, muitas vezes sem saída. Entramos de imediato num cenário histórico de ruas ladeadas pelos edifícios que resistiram à passagem do tempo. Lá dentro existe uma praça onde o Pelourinho se destaca, o edifício da antiga Casa da Câmara, o tribunal e a cadeia (do séc. XVII), a torre de menagem, a igreja e a capela. Todos verdadeiros tesouros construídos num recinto muralhado.

Aldeia Histórica de Marialva
Aldeia Histórica de Marialva

O encontro com a N222

Voltamos à estrada, em direcção a norte e à pequena aldeia de Mêda, agora pela N324, que algures mais adiante se cruza com a famosa N222. A estrada que liga Portugal de Este a Oeste, e que nesta zona do Douro Internacional se destaca pela espectacularidade do seu traçado.

Estrada N222 Freixo de Numão-Foz Côa
Estrada N222 Freixo de Numão-Foz Côa
Estrada N222 Freixo de Numão-Foz Côa
Olivais pela estrada N222 Freixo de Numão-Foz Côa
Amendoais pela estrada N222 Freixo de Numão-Foz Côa
Amendoais pela estrada N222 Freixo de Numão-Foz Côa

Caso queira compatibilizar um percurso pela N222 com esta rota consulte aqui: Roteiro pelo Douro Vinhateiro e pela N222 numa viagem de mota

Ruínas Romanas do Prazo

Tanto como andar de mota, gostamos também de conhecer e explorar todos os locais especiais que nos saltam ao caminho. Algures pela N222, nos arredores da pequena aldeia de Freixo de Numão, avistamos a pequena sinalética que indica o percurso para as Ruínas Romanas do Prazo.

Avançando por entre uma estrada de calçada romana, que se prolonga por cerca de 2 km entre muros de pedra, seguimos apreciando uma paisagem imensa de vinhedos cuidados e colinas revestidas por olivais. De repente, as colinas abrem-se para um anfiteatro natural e encontramos aninhada num planalto, um pedaço de património único que não imaginávamos ali existir. Muito menos em tão excelente estado de preservação: As Ruínas Romanas do Prazo.

Ruínas Romanas do Prazo.
Acesso de calçada romana às Ruínas Romanas do Prazo (entrada sul)
Ruínas Romanas do Prazo.
Ruínas Romanas do Prazo.

Naquele cantinho soalheiro e de vistas largas e fabulosas, estão os testemunhos da época antiga em forma de uma vila romana e povoado medieval. No local é possível apreciar alguns dos vestígios arqueológicos mais bem preservados do país, resultado de uma multiplicidade de ocupações desde o período Neolítico antigo até à Idade Média. Sepulturas, um templo paleocristão, um Menir e a presença de uma casa senhorial e uma zona balnear testemunham a ocupação romana na região. Chamam-lhe o Machu Picchu português e a analogia é merecida.

Ruínas Romanas do Prazo.
Estação Arqueológica: Ruínas Romanas do Prazo.
Ruínas Romanas do Prazo.
Ruínas Romanas do Prazo.
Rota das Amendoeiras em Flor Ruínas Romanas do Prazo.
Machu Picchu português: Ruínas Romanas do Prazo.

Informações e dicas práticas para visitar as Ruínas do Prazo:

  • Existe um pequeno parque de estacionamento no início do complexo arqueológico, sugere-se que estacione e siga para para uma caminhada de cerca de 2 minutos até ao local.
  • A visita é livre e gratuita
  • O único acesso totalmente pavimentado às Ruínas do Prazo é feito a partir da estrada N222 na zona sul. Todos os outros são acessos não pavimentados não aconselháveis a percorrer com uma mota com pneus de estrada. Especialmente em época de chuvas.

Entre os rios Douro e Sabor em Torre de Moncorvo

Seguimos para Torre de Moncorvo e a entrada em Trás-os-Montes é agora oficial. Vila Nova de Foz Côa fica agora para trás com a passagem do Rio Douro, na bela Barragem do Pocinho. O percurso à beira rio sofreu obras de restauro e reabilitação de estradas, o IP2 é aqui uma rota motociclística ribeirinha soberba.

As colinas em redor, outrora entregues ao abandono, estão agora em socalcos simétricos, repletos de novas vinhas, novos olivais e amendoais cuidados. Se pelo Alto Douro Vinhateiro o percurso é mundialmente famoso pela espectacularidade das paisagens, agora pelas margens do Douro Internacional será uma questão de tempo a ganharem o seu lugar de destaque.

Torre de Moncorvo é uma pequena vila que cresceu numa encosta entre as margens de dois rios: o Douro e o Sabor que aqui se encontram. É a seus pés que o rio Sabor termina o seu curso, desaguando no Douro, no pequeno povoado com o mesmo nome: Foz do Sabor.

O dia termina com um passeio à beira rio e deambulando pelo centro histórico de Torre de Moncorvo. A pequena praça de ruas de pedra onde a igreja domina a paisagem. Por lá existem algumas lojas de produtos artesanais da região que nos adoçam o final do dia: as amêndoas caramelizadas, os figos secos, as compotas, licores, etc.

Rota das Amendoeiras em Flor
Rio Sabor. Saída Norte de Torre de Moncorvo.
Vale da Vilariça
Vale da Vilariça

Dia 2 –  Torre de Moncorvo – Foz do Sabor – Cabeça de Mouro – Vide – Foz do Sabor – Miradouro dos Estevais – Alfândega da Fé – Cerejais | 200 km

Panorâmica do Vale da Vilariça

O Vale da Vilariça corresponde a uma extensa falha tectónica. Hoje em dia é preenchida pelos aluviões originados pelas cheias do rio Douro e pelo refluxo das águas do rio Sabor e da Ribeira da Vilariça. Formou-se assim ao longo do tempo um vale de terrenos fertilizados, donos de um micro clima especial que lhe confere propriedades únicas na região para a prática da agricultura. Naturalmente, o local é famoso desde a Idade Média pelas enormes produções de linho cânhamo, cereais e muitos produtos hortícolas (melão, feijão e grão).

Fora das planícies do vale, erguem-se as montanhas que aninham em si pequenos povoados. Aqueles onde as suas gentes vivem determinadas a manter o estilo de vida de outros tempos. O vale, com uma orientação aproximada norte-sul é rodeado, a este e oeste, pelas colinas onde as amendoeiras são rainhas da paisagem. Em cada pequeno pedaço de terra, muitas vezes num terreno de difícil acesso feito de escarpas acentuadas, está um amendoal devidamente cuidado.

Vale da Vilariça: Miradouro da Horta da Vilariça
Vale da Vilariça: Miradouro da Horta da Vilariça
Vale da Vilariça: Miradouro de São Gregório
Vale da Vilariça: Miradouro de São Gregório

Cabeça de Mouro – Castedo – Vide – Horta da Vilariça

Saímos de Torre de Moncorvo pela Foz do Rio Sabor. O rio naquela hora leva águas calmas e serenas que reflectem em si as aldeias nos seus meandros. Os locais pescam nas margens a iguaria que é muito servida e apreciada nos restaurantes da região: peixinhos fritos do rio.

Rota das Amendoeiras em Flor
Foz do Sabor
Rota das Amendoeiras em Flor
Rota das Amendoeiras em Flor

Iniciamos a subida às montanhas rumo à pequena aldeia de Cabeça de Mouro. Um pequeno roteiro circular que nos leva a percorrer remotas estradas de acesso, repletas de curvas e com as melhores panorâmicas para o Vale da Vilariça a nossos pés. Uma vez mais as amendoeiras dominam a paisagem. Algumas de troncos tão robustos e retorcidos que representam ali verdadeiras obras de arte com séculos de existência.

Este é um lugar especial para nós. Afinal, é na pequena aldeia da Vide que está a casa dos avós maternos do João. Tão cheia de memórias de família e de infância. Descemos de novo desde a Vide, até à Horta da Vilariça sempre de olho no imenso vale que parece não ter fim. Curvas e muitas curvas num percurso panorâmico ao estilo transmontano. Os rochedos de granito com as suas formas de erosão tão características distinguem-se pela paisagem natural.

Horta da Vilariça
Horta da Vilariça

Miradouro de São Gregório via M611 – Uma das melhores estradas de Portugal

De novo na Foz do Sabor continuamos o rumo para norte pela Rota das Amendoeiras em Flor até Alfândega da Fé. Pelo caminho decidimos percorrer a estrada que se impõe em qualquer percurso pela região: A estrada M611 a caminho dos Estevais.

Se até então os percursos foram por vias estreitas e sinuosas, pela estrada M611 fazemos agora um percurso por vias largas e sinuosas. Daquelas onde podemos dar largas à condução e desfrutar de mil e uma curvas de olho na Foz do Sabor no horizonte.

Subida e descida são obrigatórias. Tendo em conta a curta extensão do percurso e as diferentes, mas igualmente espectaculares, perspectivas. Afinal, a mesma estrada tem sempre dois ângulos distintos e nós não conseguimos ficar-nos só com um.

Estrada M611
Estrada M611 | Miradouro de São Gregório – Estevais
Estrada M611 | Miradouro de São Gregório - Estevais
Estrada M611 | Miradouro de São Gregório – Estevais
Melhores estradas de Portugal: Estrada M611 | Miradouro de São Gregório - Estevais
Melhores estradas de Portugal: Estrada M611 | Miradouro de São Gregório – Estevais

Consulte aqui o roteiro detalhado: A Estrada M611 em Torre de Moncorvo. Uma melhores estradas de Portugal

Alfandega da Fé e Cerejais

O caminho para Alfândega da Fé, e para a Rota das Amendoeiras em Flor na região, é feito pelas pequenas estradas municipais. Aquelas que entram pelas zonas mais afastadas das aldeias e vilas da região e nos apresentam os campos intermináveis de amendoeiras, pessegueiros, etc.

Se a cor branca da flor da amendoeira é um processo da natureza mágico de se contemplar, a cor rosa clara dos pessegueiros não lhes fica atrás. Em plantações alternadas, este é um percurso em tons de branco e rosa claro.

Avançamos devagar, devagarinho. Ao ritmo de sentir o perfume floral dos campos e de ouvir o barulho das tesouras das podas dos trabalhadores que ganham o seu pão. Paramos para uma breve explicação. Qual é a melhor altura para visitar? Porquê vimos tantas árvores de cores muito parecidas mas com as suas diferenças. Ali temos uma explicação detalhada e feita com paixão sobre o processo de cultivo. O dia estava assim a terminar em breve.

Rota das Amendoeiras e Pessegueiros em Flor
Rota das Amendoeiras e Pessegueiros em Flor: Alfândega da Fé
Rota das Amendoeiras em Flor: Cerejais
Rota das Amendoeiras em Flor: Cerejais
Castedo: Rota das Amendoeiras em Flor
Castedo: Rota das Amendoeiras em Flor

Rota das Amendoeiras em Flor – Quando ir?

Viajar para o Interior Norte de Portugal é possível durante todo o ano. À semelhança da maioria do país, as estradas estão circuláveis durante todas as estações. Ocorrendo apenas alguns nevões pontuais nas terras altas nos meses de Inverno (Dezembro a Fevereiro) que poderão condicionar alguns pequenos troços.

Se o objectivo é uma viajar para apreciar a época em que as Amendoeiras estão em Flor, existe um período de tempo muito limitado para o fazer. Entre finais de Fevereiro a inícios de Março será a altura aconselhada. Um prazo de cerca de 15 a 20 dias no máximo separa o início da floração do final, quando a árvore então apenas com flor, fica revestida pelo verde das folhas.

Nesta época do ano, centenas de pessoas deslocam-se à região para apreciar este espectáculo natural e para a Festa das Amendoeiras em Flor. Ver aqui as informações na página do Município.

Mesmo fora da época de floração, esta região de Portugal merece uma visita em qualquer outra das estações. Com especial sugestão para os períodos entre os meses de Fevereiro a Outubro. Os meses em que a época de chuvas não é tão intensa.

🛏️Sugestão de Alojamento na região de Torre de Moncorvo

🍽️Sugestão de Restaurante na região de Torre de Moncorvo

Mapa do Percurso pela Rota das Amendoeiras em Flor

Para consultar o mapa em detalhe, clique sobre ele ou utilize o canto superior direito para abrir directamente na página do Google Maps. Poderá fazer o zoom necessário para ver a rota em pormenor ou exportar para o GPS como preferir. Clicando no canto superior esquerdo, é também possível ler a legenda do mapa em detalhe.

Total de quilómetros:  500 km

Tempo mínimo sugerido: 2 dias 

Sugestão para outros roteiros de viagem de mota pela região:

⬅️ Etapa anterior: O Douro Vinhateiro numa viagem de mota

➡️ Etapa seguinte: A Rota do Douro Internacional e do Lago de Sanabria. Portugal 🇵🇹 | Espanha 🇪🇸

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