Roteiro na Serra de São Mamede | Nisa, Marvão, Castelo de Vide

Serra de São Mamede. Viagens de mota por Portugal

Tomar rumo ao Alentejo é frequente nas nossas viagens de mota por Portugal. Afinal, a calmaria da região, as belas estradas que por lá se encontram, a gastronomia rica e a paisagem única no país, exerce em nós um forte magnetismo. Temos especial adoração por terras alentejanas. O Parque Natural da Serra de São Mamede fora também, o primeiro destino nacional onde fizemos um passeio em duas rodas, na nossa primeira mota.

Recuando no tempo, lembramos com exactidão quando partimos à descoberta de Portugal, naquele que é o meio de transporte que nos oferece plena liberdade. Muitas mais foram as vezes que voltámos. Para visitar Marvão, para comer umas migas de espargos com secretos de porco, para comprar queijos de Nisa, para atravessar a Alameda dos Freixos ou simplesmente num passeio sem rumo, deambulando livremente pelas remotas estradas alentejanas. Desta vez, voltámos para descobrir novos locais e redescobrir outros tantos.

Parque Natural da Serra de São Mamede
Parque Natural da Serra de São Mamede
Serra de São Mamede Estrada N246
Serra de São Mamede Estrada N246
Serra de São Mamede
Serra de São Mamede

Sobre o Parque Natural da Serra de São Mamede

O Parque Natural da Serra de São Mamede, localiza-se no interior de Portugal, na região do Alto Alentejo e nele se integram os concelhos de Arronches, Castelo de Vide, Marvão e Portalegre.

Por lá encontramos um Alentejo distinto. As vastas colinas e planícies cobertas pelo manto dourado dos cultivos de sequeiro, dão lugar a um território de relevo acentuado, cobertas por vegetação mais intensa e pequenas florestas. Os vestígios da presença humana em diversas épocas históricas são evidentes e complementam uma rota de descoberta do parque natural, atravessado por inúmeras estradas panorâmicas.

Serra de São Mamede
Viagem de mota pela Serra de São Mamede

A Serra de São Mamede é o ponto mais elevado da região a sul do Tejo, com o seu cume a 1025 metros de altitude. O que lhe conferiu ao longo dos séculos o estatuto de local ideal para a defesa do território, dada a sua proximidade com a vizinha Espanha. Promontórios rochosos , onde se inserem vilas fortificadas como Marvão e Castelo de Vide, erguem-se na região. Neles foram construídos povoados, entre muralhas e castelos, que são por si só um miradouro natural. Hoje em dia, caminhar entre as suas ruas, é um recuo no tempo que nos fascina.

Com um nível de humidade e precipitação superiores ao das áreas envolventes, aqui a serra usufrui de um microclima que dá origem a uma rica e diversificada cobertura vegetal. Na zona norte predominam os carvalhos e castanheiros, e a sul, o montado puro de sobreiros e azinheiras. Comum a ambas as zonas, são os olivais que salpicam os horizontes. Assim como cobertura rasteira de flores silvestres, que na Primavera se enche de flores, pintando os campos de cor.

Campos floridos no Alentejo
Campos floridos no Alentejo
Campos floridos no Alentejo
Campos floridos no Alentejo
Parque Natural da Serra de São Mamede
Parque Natural da Serra de São Mamede
Parque Natural da Serra de São Mamede
Parque Natural da Serra de São Mamede

Roteiro na Serra de São Mamede | Locais a Visitar

Alpalhão, Calvário da Nossa Senhora da Redonda

Vindos da nossa terra, tomamos o caminho mais rápido até à Serra de São Mamede, atravessando o IP2 na Barragem do Fratel. Aqui entrámos oficialmente em terras alentejanas. A pequena vila de Alpalhão que recebeu-nos na primeira paragem, junto à encantadora Igreja da Nossa Senhora da Redonda.

De construção original que remonta à Idade Média, esta capela é na generalidade um edifício quinhentista, que tem vindo a ser ao longo dos séculos, alvo de reconstruções que deixaram em si o traço de cada época arquitectónica passada. Objecto de romarias populares, o Calvário da Senhora da Redonda foi o monumento que nos marcou a passagem por Alpalhão. A vila alentejana de casario branco entre ruas de calçada portuguesa, de contornos amarelados entre portas e janelas. Tínhamos chegado ao Alentejo.

Igreja Nossa Senhora da Redonda
Nossa Senhora da Redonda

Anta da Melriça

Visitar a Anta da Melriça é a oportunidade de percorrer as estreitas estradas entre os descampados alentejanos, e caminhar entre os campos floridos das planícies que a rodeiam, afastados dos itinerários principais.

Estrada de acesso à Anta da Melriça
Estrada de acesso à Anta da Melriça

Monumentos megalíticos sempre nos despertaram um certo fascínio. Não deixamos de nos sentir intrigados ansiando entender mais sobre os povos que há milhares de anos habitaram o nosso planeta. Cujas marcas da sua existência continuam ainda hoje profundamente marcadas pelo território.

A Anta da Melriça é um dos gigantescos monumentos megalíticos da região de Portalegre. Constituída por 4 lajes de granito de forma rectangular e coberta por uma outra de forma triangular. Rodeada por pedregulhos de grandes dimensões que se amontoam no interior e exterior do dólmen. A sua localização permite enquadrar uma das melhores panorâmicas para o castelo e fortificações de Castelo de Vide, assim como os eclipses lunares. Revelando uma vez mais que foram edificadas, não ao sabor do acaso, mas por gentes de grande sabedoria.

Anta da Melriça
Anta da Melriça
Caminhada até à Anta da Melriça
Caminhada até à Anta da Melriça
Anta da Melriça
Anta da Melriça

Dicas para visitar a Anta da Melriça

Para os mais distraídos, é fácil passar pela estrada N246, que liga Alpalhão a Castelo de Vide e deixar escapar esta maravilha do mundo antigo.

Para visitar a Anta é necessário tomar o pequeno itinerário municipal, cuja sinalética se encontra timidamente identificada. Por um percurso totalmente pavimentado onde as ervas se apoderam do traçado, seguimos por curtos quilómetros até à entrada da propriedade que aloja a Anta da Melriça.

Será necessário abrir uma rudimentar e improvisada porta de madeira que se encontra no local. O acesso é feito caminhando sempre na mesma direcção entre as colinas alentejanas. Caso tenha sido visitada recentemente, o trilho da caminhada estará ligeiramente definido, ajudando a traçar o rumo. Cerca de 5 minutos de caminhada serão necessários para chegar ao local, onde se encontrará uma segunda porta, agora feita de arame de vedação.

Anta da Melriça
Acesso à Anta da Melriça

Serra da Penha e a Ermida de Nossa Senhora da Penha

Sobranceira à majestosa vila empoleirada de Castelo de Vide está a Serra da Penha, onde a Ermida de Nossa Senhora da Penha se ergue sob um miradouro natural fabuloso. De construção simples constituída por uma nave, capela-mor redonda e sacristia, o seu interior está forrado por azulejos do século XVII.

Do alto do monte, a Ermida é acessível através de uma longa escadaria que termina no adro deste templo, ladeado por um cruzeiro. Daqui apreciamos uma das mais belas vistas para Castelo de Vide, assim como toda a envolvência natural que pertence ao Parque Natural da Serra de São Mamede. Estacionamos a mota no parque de merendas junto à estrada, inserido entre a floresta verdejante que preenche este recanto serrano. Um fontanário ao estilo alentejano e muitas mesas em redor são o local ideal para um piquenique na natureza.

Ermida de Nossa Senhora da Penha
Ermida de Nossa Senhora da Penha
Serra de São Mamede: Ermida de Nossa Senhora da Penha
Escadaria da Ermida de Nossa Senhora da Penha

O percurso pela Serra de Penha é feito por uma estrada que atravessa a sua cumeada sugestiva e oferece uma subida e descida curvilínea sempre de olhos postos no horizonte urbano e natural. Uma subida aos céus num dos locais mais interessantes do ponto de vista geológico que a região oferece: aqui percorremos a enorme falha geológica de Castelo de Vide. Marcada entre afloramentos rochosos de quartzitos de altura significativa. Mais uma obra prima da natureza.

Miradouro da Senhora da Penha
Castelo de Vide do Miradouro da Senhora da Penha
Parque Natural da Serra de São Mamede: Serra da Penha
Parque Natural da Serra de São Mamede: Serra da Penha
Serra da Penha
Serra da Penha

Castelo de Vide

Há já alguns quilómetros que a vínhamos a observar dominando o horizonte. No alto da paisagem alentejana, o castelo rodeado pelo casario branco destaca-se na paisagem. É sem dúvida um obrigatório local de paragem.

Castelo de Vide é uma das povoações com encanto de Portugal, cuja arquitectura integrada na paisagem fascina qualquer visitante. Na encosta norte, entre o castelo e a Fonte da Vila, uma série de ruas de pedra estreitas delimitam o casco histórico da Judiaria. Um dos testemunhos mais importantes da presença judaica em Portugal, que remonta ao século XII, no reinado de D. Dinis.

Centro histórico de Castelo de Vide
Centro histórico de Castelo de Vide

Depois de uma subida de mota pelas ruas íngremes e estreitas chegámos à entrada do castelo onde estacionámos a nossa mota, acompanhados por um sentimento de certo alívio. Talvez tivesse sido mais razoável estacionar na entrada da vila, mas subir e descer tudo a pé parecia-nos demasiado.

Entramos caminhando pela porta da muralha que nos leva à torre de menagem do castelo. No seu interior estão as pequenas casinhas cheias de cor, perfeitamente adornadas com canteiros floridos, entre portas e janelas que guardam em si a sua memória medieval. Do alto da paisagem espreita o Castelo de Marvão ali bem perto e terras de Espanha que dista pouco mais de 20 km. Para lá seguimos.

No interior da muralha de Castelo de Vide
No interior da muralha de Castelo de Vide
Miradouro do Centro Histórico de Castelo de Vide
Miradouro do Centro Histórico de Castelo de Vide
Serra de São Mamede
Castelo de Vide

Alameda dos Freixos

Se a Irlanda do Norte tem as The Dark Hedges, Portugal tem a Alameda dos Freixos. Percorrendo a estrada N246-1 que une Portagem a Castelo de Vide, encontramos numa extensão de mais de um quilómetro, árvores com mais de 200 anos que ladeiam a estrada pintadas com cal branca para sinalização. O percurso está classificado como local de interesse público desde o século passado. Representa um dos mais icónicos percursos panorâmicos da região e uma das mais bonitas estradas de Portugal. Ali em pleno Alentejo profundo, no lugar de São Salvador de Aramenha, com o Castelo de Marvão à vista.

Alameda dos Freixos
Alameda dos Freixos
Alameda dos Freixos
Serra de São Mamede: Alameda dos Freixos

Ruínas Romanas de Ammaia

Localizada em pleno Parque Natural da Serra de São Mamede, na aldeia de São Salvador da Aramenha, concelho de Marvão, as ruínas da Cidade de Ammaia são sem dúvida o mais importante vestígio da era romana existente na região do norte alentejano. Cobrindo uma área que possui cerca de 25 hectares, a dimensão da cidade com mais de 2000 anos de existência é impressionante.

Numa das nossas anteriores visitas à região, atravessámos a fronteira para Espanha, percorrendo o Tejo Internacional e atravessando a Ponte Romana de Alcântara, uma das maiores e mais bem preservadas do império. Provavelmente, muitas vezes atravessada pelos romanos com destino à Cidade de Ammaia. Mais informações para visitar Ammaia e o seu museu aqui.

Cidade de Ammaia
Entrada na Cidade de Ammaia

Para mais informações sobre um roteiro com passagem na Ponte Romana de Alcântara consulte aqui o nosso artigo já publicado: Roteiro de mota entre Marvão e a Ponte Romana de Alcântara

Castelo de Marvão

A rota pela Serra de São Mamede leva-nos, inevitavelmente, a Marvão e ao seu castelo. A subida até Marvão é feita por uma curvilínea estrada que ganha altitude de olhos postos no promontório rochoso a seu lado, onde o Castelo de Marvão e sua vila fortificada dominam a paisagem.

Marvão merece que por lá estacione a mota e se deixe encantar. Local conquistado aos mouros por D. Afonso Henriques, rodeado por muralhas construídas entre os Séc. XIII e XVII, mas cuja utilização como ponto estratégico remonta aos tempos romanos. Por lá se percorre um local de grandes acontecimentos da História de Portugal.

A melhor maneira de conhecer Marvão é caminhando pelas ruelas estreitas, delimitadas por casas brancas, de contornos coloridos e janelas floridas.  Um curto passeio pela fortaleza, entre o Castelo, as Igrejas de Santiago, do Espírito Santo e de Santa Maria. Locais de interesse histórico e religioso, encaixados no alto de um penhasco por onde se apreciam as vistas deslumbrantes.

Os jardins alinhados, as encantadoras esplanadas, um Pelourinho manuelino, as janelas góticas e as varandas de ferro forjado. Outros detalhes preciosos de um local que nos faz recuar no tempo.

Serra de São Mamede: Subida a Marvão
Serra de São Mamede: Subida a Marvão
Castelo de Marvão
Castelo de Marvão
Castelo de Marvão
Visitar o Castelo de Marvão
Casario tradicional na vila de Marvão
Casario tradicional na vila de Marvão

Menir da Meada

Mais um monumento megalítico na região da Serra de São Mamede, leva-nos a percorrer o interior remoto do parque natural mirando Espanha no horizonte. Seja um pretexto para percorrer as belas estradas ou um motivo adicional para visitar a região, o Menir da Meada vale pelo caminho até si, pela paisagem que o rodeia e por representar mais um vestígio arqueológico de civilizações pré-históricas.

Pequenas estradas oscilam entre colinas. De um lado olivais cuidados proliferam, do outro, sobreiros e azinheiras salpicam os campos de cultivo. Milhares de flores silvestres adornam a paisagem e a chegada ao menir é feita por entre imponentes rochedos de granito.

Parte da manta megalítica que delimita a Serra de São Mamede, o menir da Meada faz parte de um conjunto de antes e menires implantados na linha de contacto litológico entre os xistos e os granitos na região. Aqui estacionamos por uns momentos. À sombra de um sobreiro.

Serra de São Mamede: Menir da Meada
Menir da Meada
Serra de São Mamede
Serra de São Mamede

Barragem da Póvoa e Meadas

Depois da Barragem do Caia, a Barragem da Póvoa e Meadas é a segunda maior albufeira do distrito de Portalegre. Localizada a cerca de 5 quilómetros de Castelo de Vide, este lago gigante aninhado nas montanhas serranas, oferece um percurso panorâmico soberbo à beira lago. Assim como inúmeros locais propícios a uma paragem na época quente para praias fluviais.

Barragem de Nisa
Barragem de Nisa

Sugestão de Alojamento na Serra de São Mamede

Em Marvão:

Em Castelo de Vide:

Sugestão de Restaurante na Serra de São Mamede

Mapa do Percurso pela Serra de São Mamede

Para consultar o mapa em detalhe, clique sobre ele ou utilize o canto superior direito para abrir directamente na página do Google Maps. Poderá fazer o zoom necessário para ver a rota em pormenor ou exportar para o GPS como preferir. Clicando no canto superior esquerdo, é também possível ler a legenda do mapa em detalhe. Aqui incluem-se as seguintes informações:

  • Locais de interesse histórico e natural

Quando ir?

Na Serra de São Mamede o Verão é quente e seco, de céu quase sem nuvens e o Inverno muito frio e chuvoso. Ao longo do ano a temperatura varia entre os 1ºC a 35ºC e, em qualquer estação será possível um passeio de mota.

Entre Março a Junho, na chegada da Primavera até ao Verão, a visita é recompensada pelos campos floridos que nesta época do ano são o ponto alto das paisagens alentejanas. Os meses de Julho e Agosto poderão ser mais quentes e menos agradáveis para viajar de mota pela região caso sofra com a exposição a temperaturas elevadas.

Campos floridos no Alentejo
Campos floridos no Alentejo

Sugestão para outros roteiros de viagem de mota pela região:

⬅️ Etapa anterior: Gavião, Passadiços do Alamal e Belver, nas margens do rio Tejo

➡️ Etapa seguinte: Roteiro de mota entre Marvão e a Ponte Romana de Alcântara, Tejo Internacional

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2 Replies to “Roteiro na Serra de São Mamede | Nisa, Marvão, Castelo de Vide”

  1. Boa noite.
    Antes de mais; obrigado desde já!
    Quando tiverem tempo para consultar a memória ou os vossos canhenhos podem dizer-me por favor:
    A estrada retratada na 11ª foto https://i1.wp.com/quilometroinfinito.com/wp-content/uploads/2020/05/Serra-SMamede_46.jpg?resize=768%2C512&ssl=1
    do percurso “Roteiro na Serra de São Mamede | Nisa, Marvão, Castelo de Vide” se trata de facto da N246 que consta no croqui do google maps?

    1. quilometroinfinito says: Responder

      Bom dia Rui. Essa foto, consoante a legenda que nela colocamos, é o acesso à Anta da Melriça. Identificada em detalhe no mapa que partilhamos no artigo. Não é a N246 como se deve imaginar 😉 Faça zoom no mapa e encontra nele o ponto B, que corresponde à entrada desse percurso.

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